sexta-feira, 28 de março de 2014

Provérbios Gauchescos



Recolhidos por Apolinário Porto Alegre

(1844 – 1904)



Abram a cancha, que vai o mancha.
Acabou-se o que era doce; quem comeu, regalou-se.
A formiga sabe que erva corta.
A gato velho, camundongo novo.
Aleluia, carne no prato, farinha na cuia.
A que à tarde come milho, é besta de pai e filho.
Aqui há coisa, se não é gambá, é raposa.
Araçá do campo dá maleitas.
A roça roça a gente
A touro fraco todos o pialam.
Berimbau não é gaita.
Boi lerdo bebe água suja.
Branco em rancho de palha faz desconfiar.
Caboclo não joga espada.
Caboclo sou, mas sou são.
Cada qual com seus carurus.
Cada macaco em seu galho.
Cão não rejeita osso.
Capenga não forma.
Capim todos comem, o ponto é saber dá-lo.
Casa na roça e na cidade põe a gente em necessidade.
Casco de boi velho, onde senta, não escorrega.
Céu pedrento, chuva ou vento.
Cesteiro que faz um cesto, faz um cento, contanto que tenha taquara e tempo.
Coco velho é que dá azeite.
Com chimango não gasto pólvora.
Cuia curtida, mate bom
De cobra não nasce passarinho.
De manhã não há mosquitos.
Dois bicudos não se beijam.
Dois tatus não fazem casa em um só buraco.
É a corda e a caçamba.
Em casa velha tudo são ratos.
Encomenda sem dinheiro fica no Rio de Janeiro.
Em cômoda barata, entra barata.
Em falta de farinha crueira serve.
Em festa de jacu não entra inhambu.
Em função de brancos e negros, o negro é o último que come, e o primeiro que apanha.
Em tempo de murici (ou buriti), cada um cuida de si.
Estômago de porco, paladar de urubu.
Facão novo (ou adaga nova) se quebra, não se dobra.
Filho de tigre (ou onça) sai pintado.
Filho de gato apanha rato.
Fogo na canjica, que é de milho verde.
Guisado por mão de sinhá, quem não comerá?
Isto é de grapiapunha: obra feita, dinheiro na unha.
Isto não vale dez réis de mel coado.
Jalapa, quando mata, rapa.
Macaco não olha para o seu rabo.
Macaco, quando se coça, quer chumbo.
Macaco velho não cai de pau pobre.
Macaco velho não mete a mão em cumbuca.
Macaco morre por banana.
Mais vale um urubu na unha que dois sabiás voando.
Mangueira não dá pitangas.
Milho plantado tarde, dá pendão, não dá espiga.
Moças, fita e chitas, não há feias nem bonitas.
Moço monarca não se assina, mas risca a marca.
Mosquitos, enquanto cantam, não mordem.
Mulata velha, ou parteira ou alcoviteira.
Mulher não casa com carrapato, porque não conhece o macho.
Não aquento água para outro tomar mate.
Na cacunda do tatu, tamanduá aquenta sol.
Não há mais lugar na canoa.
Não há sapo sem a sua sapa.
Não se apanha o rato, apertando o rabo do gato.
Não sou branco, mas sou franco.
O guraxaim já pára patrulha.
O mico é que morre de caretas.
O porco quando acaba de comer, vira o cocho.
O que é um boi para quem tem uma estância?
O que o urubu não conhece, não come.
O sol é o poncho do pobre.
O tatu procura sempre o seu buraco.
O uso do cachimbo faz a boca torta.
Papagaio come milho, periquito leva fama.
Partida de parelheiro, sentada de sendeiro.
Pica-pau não fura aroeira.
Pitangueira não dá mangas.
Por cima de tanta farofa, por baixo molambo só.
Porco do mato não se coça em árvore de espinho.
Praga de urubu não mata cavalo gordo.
Quando o carancho está infeliz, não árvore que o agüente.
Quando o urubu está sem sorte, não há galho que o suporte.
Quem de poçuca vive, de poçuca se mantém.
Quem dorme na soga, amanhece com fome.
Quem é lerdo não come pirão.
Quem não campeia, não acha.
Quem é ruim, na encontra capão para pouso.
Quem matou o cão foi o Baeta; quem não pode não se meta.
Quem mente, fica cacunda.
Quem muito se abaixa, a bunda lhe aparece.
Quem não me apóia, não me come bóia.
Quem não pode com a carga, a carga larga.
Quem não pode com mandinga, não toma patuá.
Quem quer guabiju, sacode o galho.
Quem tem dó de angu, não cria cachorro.
Quem tem medo, não amarra negro.
Quem tem vergonha, morre de fome.
Roceiro na cidade, é força de necessidade.
Se não sou ligeiro, os quatis me lambem.
São brancos, lá se entendem.
Se tatu visse, carreira não dava.
Se tem muito dinheiro, coma num cocho.
Soldado velho não se aperta, e quando se aperta, deserta.
Traíra quando não tem o que comer, come os parentes.
Traíra velha só come lambaris.
Tatu velho não sai em mundéu.
Tiro dado, bugio deitado.
Tiro dado, jacu no chão.
Todos têm a sua chica.
Tome fumo, se é que pita.
Trempe de tição, comerá ou não?
Um boi corneta deita a tropa a perder.
Um macaco só em qualquer galho se arranja.
Ver de que pau se faz uma canoa.
Ver de quantos paus se faz uma jangada.



Do livro:

“Popularium Sul-rio-grandense”, de Apolinário Porto Alegre.
Instituto Estadual do Livro, RS

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