quarta-feira, 23 de abril de 2014

A história de uma música de Antônio Maria


Antônio Maria por Loredano



“Ninguém me Ama” foi a primeira música de Antônio Maria a aparecer num filme. Foi cantada por Nora Ney em Carnaval Atlântida, realizado no final de 1952 com músicas para o Carnaval de 1953. Assinado por José Carlos Burle, o filme teve os números musicais dirigidos por Carlos Manga. “Ninguém me Ama” aparecia numa das principais seqüências do filme, o sonho do Conde Verdura (José Lewgoy).

O sucesso de “Ninguém me Ama” foi enorme. Ficou como único ponto de discórdia entre Antônio Maria e Ari Barroso. Maria provocava o amigo dizendo que, em vários países da Europa em que estivera, não escutara uma só vez “Aquarela do Brasil”:

- Ouvi, sim, “Ninguém me Ama”. Em todo lugar que eu entrava, estava tocando “Ninguém me Ama”.
Tempos depois, na cantina Sorrento, Ari perguntou a Antônio Maria:
- Qual é a minha música mais famosa?
- Acho que é “Aquarela do Brasil”.
- Então, canta “Aquarela do Brasil”.
Antônio Maria, meio sem graça, cantou. Ari:
- Agora, me diga qual a sua música mais famosa.
- “Ninguém me Ama”.
- Então, me pede pra cantar “Ninguém me Ama”.
Antônio Maria, já meio desconfiado desse papo todo, pediu:
- Ari, canta “Ninguém me Ama”.
E Ari gritou pra todo a cantina ouvir:
- NÃO SEI!

Mais tarde, criou-se uma versão do caso da cantina Sorrento, em que o episódio teria acontecido quando Ari estava acamado, pouco antes de falecer. Sérgio Cabral, em No Tempo de Ari Barroso, assegura que essa versão é falsa.

A grande implicância de Ari com “Ninguém me Ama” é que ele considerava a música o símbolo do samba abolerado ou sambolero.




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