domingo, 6 de abril de 2014

A morte Francisco Alves


(O Rei da Voz)

“Se alguém deseja saber se um reino é bem ou mal governado,
se sua moral é boa ou má, examine a qualidade de sua música,
que lhe fornecerá a resposta.”

Confúcio

 Era sábado e anoitecia quando as emissoras de rádio começaram a espalhar a notícia que, de repente, paralisou todo o Brasil. Na via Dutra, dentro do município de Pindamonhangaba, no sentido São Paulo-Rio, às 17h23min, um caminhão na contramão tinha batido num automóvel Buick de cor verde-escuro, que imediatamente pega fogo. Dentro dele falecia, carbonizado, aquele que desafiava o tempo e se confundia com o sentimento musical do povo brasileiro: Francisco Alves.

O luto instala-se em todos os corações. As homenagens passam a se suceder por amor, respeito e reconhecimento a quem, por mais de 25 anos, soube oferecer canções que haviam se incorporado profundamente ao viver de cada um.

Francisco de Moraes Alves nasceu (19.8.1898) na cidade do Rio de Janeiro e faleceu (27.09.1952) no município de Pindamonhangaba, SP, em desastre rodoviário, depois de apresentações na capital paulista.

Um fim irônico para quem evitava viajar de avião, por medo de morrer carbonizado como Carlos Gardel. A notícia inacreditável apanhou de surpresa todo o Brasil, abalou e enlutou cada um dos brasileiros. Jonjoca, vereador e presidente da Câmara carioca, por ter sido amigo, avoca pessoalmente a organização do velório no seu recinto. Conta que nos preparativos recebe em mãos um embrulho pequeno, levíssimo, por certo suas cinzas, que entrega a Célia Zenatti, dançarina e atriz de revista, o grande amor de sua vida.

  Duas cenas que então presenciou, ao lado do ministro da Educação, trazem lágrimas aos olhos de todos. As meninas da Casa de Lázaro cantam em sua homenagem a Canção da Criança, em torno de seu caixão lacrado, uma delas sobre o mesmo. E, na saída, a multidão imensa, que não deixava ver o asfalto, a aplaudir um morto, de forma espontânea e vibrante, como pela primeira vez se viu acontecer. Pela primeira vez também um carro do Corpo de Bombeiros transportaria um morto. Seu cortejo traduziria a profunda dor de todo um povo, sem distinção de idade e classe social. Centenas de milhares, chorando, o acompanharam até o Cemitério de São João Batista, em Botafogo.

Desapareceria Francisco Alves com 54 anos, ainda na plenitude de sua arte e do reconhecimento do público. Não é preciso dizer mais. Enquanto houver a música popular brasileira, e alguém  quiser  conhecê-la ou contar sua grande história, o nome de Francisco Alves será lembrado e reverenciado.





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