quinta-feira, 24 de abril de 2014

Aldeído Fenol



Filho bastardo da ligação covalente de um gás nobre e uma substância pura, que não soube usar a tabelinha periódica. Aldeído Fenol ficou conhecido por seu temperamento explosivo, já que costumava provocar reações eletrolíticas sempre que alguns maus elementos, ou metais da pesada, como o trio Bismuto (Bi), Irídio (Ir) e Tálio (Ti), discordavam dele.

 Empresário de sucesso, era conhecido como o "rei da segunda via" por causa da enorme quantidade de complexos de carbono que vendia em escritórios e repartições. Mas com o advento da Xerox, Aldeído foi à bancarrota e conheceu a miséria.

Em situação deplorável, teve que se sujeitar a tudo, tendo, inclusive, entregado seu anel benzênico a diversos elementos, como os famigerados Paládio (Pd), Molibdênio (Mo) e Cádmio (Cd), que não dispensaram a oportunidade de meter-lhe o Ferro (Fe). Comenta-se que até o Titânio Arnaldo Antunes e o eterno craque rubro-negro Zinco estiveram naquele Cu (Cobre). O contato com metais de transição, que jamais desejaram uma ligação estável, fez de nosso saudoso Fenol, uma figura insípida, inodora e incolor. Aldeído vivia na maior água.

No início dos anos 70, enveredou pelo caminho das drogas, cheirando polímeros e fazendo uso de um acido de alto teor PH que tirava todos os seus nêutrons de órbita. Desempregado, nas CNTP vivia em estado sólido, mas, mesmo duro, Aldeído não conseguia abandonar o vício, queimando suas parcas economias ao vender as suas últimas propriedades químicas.

 Numa triste tarde de outubro, Aldeído foi preso e levado para uma cadeia molecular de segurança máxima. Lá recebeu a pressão de um vapor, que havia lhe adiantado uns compostos orgânicos. Depois de uma acalorada (+ ou- 360 Fahreinheit) discussão, o marginal partiu para a violência e, usando sua massa molecular, trucidou o pobre Aldeído Fenol, que não teve tempo nem para uma simples reação iônica

Incombinância

Que tipo de valência é você?
Que não hibrida na sp,
Valência que me cativa
E não faz comigo uma ligação dativa.

Que tipo de valência é você?
Que vem com transa e transa e tal,
Chega na hora de reagir
Me deixa no espaço orbital.

Eu quero álcool etílico?
Quero como catalisador
Para ver você se toca
E faz comigo uma reação de dupla troca.

Eu não me clorofórmio
Por este teu oxigênio,
Diz que eu venho de má família
Que não combina

Com um calcogênio,
Mas hei de encontrá-la toda metódica,
Vou forçar uma catálise
Para a história da tabela periódica.



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