quarta-feira, 2 de abril de 2014

Aluízio Azevedo e a Filatelia

  


Quando era cônsul em Vigo (Espanha), no século XIX, o escritor Aluízio Azevedo recebeu um pedido de selos do filatelista brasileiro Dr. Rodrigo Octávio, então ministro do Supremo Tribunal Federal, tendo Aluízio Azevedo, respondido com os seguintes versos:


“Pedistes selos?... pois selos
Tereis os que apetecerdes,
Encarnados, amarelos
Azuis e roxos, e verdes;

(Mandar prefiro os antigos,
De velhos, cansados povos,
Pois os selos, como amigos,
Mais valem velhos que novos.)

Tê-lo-eis com vários bustos;
Tê-lo-eis de vários anos,
De imperadores vetustos
E chefes republicanos;

Restos de moços e velhos,
Que humildes povos incensam,
E de importantes fedelhos,
Que já reinam e ainda não pensam;

De Colombo e sua roda,
De Santo Antônio e do Papa
Pois, depois que o selo é moda,
Já ninguém ao selo escapa.

Tê-lo-eis grandes, pequenos
A fartar postos à escolha,
Uns melhores, outros menos,
Uns velhos, outros em folha.

Tê-lo-eis dos mais legítimos
Desde o tempo de Henriques,
Em réis, centavos e cêntimos,
Em Shillings e em peniques.

Tê-lo-eis de vários gostos
Firmados em línguas várias
Mostrando diversos rostos
De personagens lendárias.

De rainhas primitivas,
Que a nós só constam de história,
E d´outras que estão bem vivas,
Como a Rainha Vitória;

Apenas, receio, amigo,
Que, à força de mandar selos,
Fique eu doido, e vós comigo
A força de recebê-los!”


Aluízio Azevedo, Vigo, 14 de junho de 1896.

                                                                                                  

          






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