quarta-feira, 2 de abril de 2014

Histórias atribuídas a Ruy Barbosa



Os patos

“Ruy Barbosa”, ilustre intelectual brasileiro, ao chegar em casa, ouviu estranho barulho vindo do seu quintal. Chegando lá, constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de estimação.

Aproximou-se vagarosamente do indivíduo, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus amados patos. Batendo nas costas do invasor disse-lhe em tom altamente catedrático:

- Bucéfalo, não é pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes e sim pelo ato vil e sorrateiro de galgares os profanos de minha residência. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares de minha alta prosopopeia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica no alto de tua sinagoga que te reduzirá a qüinquagésima potência que o vulgo denomina nada.

E o ladrão, confuso, pergunta-lhe:

- Senhor, eu levo ou deixo os patos?

A travessia

“Ruy Barbosa”, com um grosso livro debaixo do braço, querendo atravessar um rio, dirige-se a um barqueiro negro e pergunta-lhe:

- Ébano, quanto almejas de pecúlio para transportar-me nesse teu instrumento de labor, deste polo àquele hemisfério?

O barqueiro, boquiaberto e não entendendo nada, faz um gesto que parece ser de desdém.

Ruy Barbosa visivelmente enfurecido, replica ao barqueiro:

- Se fizeste isso por ignorância, perdoo-te; mas se o fizeste para ofender-me, dar-te-ei com esta fonte de luzes pela cabeça, e te reduzirei à quinta substância da camada do pó que te envolve!

O barqueiro, embasbacado com tantas palavras difíceis, pergunta:

É pra travessá o rio, sinhô?

Rui e o caipira

Em noite de feroz inspiração, “Ruy Barbosa” saiu a passeio pelo campo, e, topando com um roceiro que contemplava o luar, disse-lhe:

És um amante do belo! Acaso, já viste também os róseos-dourados dedos da aurora tecendo uma fímbria de luz pelo nascente, ou as sulfurosas ilhotas de sanguíneo vermelho pairando sobre um lago de fogo a esbrasear-se no poente, ou as nuvens como farrapos de brancura obumbrando a lua, que flutua esquiva, sobre um céu soturno?

- Ultimamente, não - respondeu o caipira pasmado. Faz um ano que num boto pinga na boca.

                                                    Vaca à venda

Um dia, Ruy Barbosa resolveu colocar uma de suas vacas à venda. Então, ele colocou em um jornal o seguinte texto:

“Extraordinária vaca à venda! Refinamento vividamente estampado em sua face. Olhos expressivos e saúde robusta. Lombo e cauda sobrepassam a grandeza da clássica escultura grega. Suas pernas, de soberbo desenho, infundem respeito. Sua figura doce e atraente transpira qualidade, valor e beleza. Personalidade sumamente acolhedora. Nascida nos românticos prados da Granja Sublime na Ilha das Hortênsias. Tratar com o meu caseiro Chico Flores.”

Toma lá, dá cá...

Quando Ruy Barbosa iniciava sua profissão na Bahia, apareceu-lhe em casa, certa vez, um açougueiro, perguntando-lhe:

 Se o cachorro de um vizinho lhe furta um pedaço de carne, pesando 5 quilos,o dono do cachorro é obrigado apagar?

 Tem testemunhas?

 Tenho.

 Pois trate de receber a importância.

 Pois, então, o doutor me deve 7$500; Foi seu cachorro que roubou a carne.

O futuro jurisconsulto fez o pagamento, sem bufar, e, quando o açougueiro ia saindo, chamou-o:

 Vem cá! E a consulta?

 Tenho que pagar?

 Naturalmente. São 15$000.

O calhau de pedra

Um dia, um filho de Ruy Barbosa chega em casa chorando, com a cabeça sangrando, sujando-lhe o rosto e pingando gotas de sangue pelas roupas e pelo chão.

 Que foi, meu filho?

O garoto mostra um calhau de pedra.

‒ O filho do vizinho me tacou esta pedra na cabeça.

Ruy Barbosa pega a pedra e examina:

‒ Meu filho, isto não é um simples calhau de pedra. É uma formação rochosa, do período mesozoico. Um quartzo com formação de carbono que pode ser fruto de lava vulcânica.

E o coitado do filho, sangrando e chorando até que o pai se compadece:

 Venha, filho, vou passar-lhe um lenimento para aliviar o seu padecer.

A lição de Português

Ruy Barbosa mandou fazer um conserto em casa. No fim, o cidadão encarregado da tarefa apresenta a conta: C$ 25,00. “Mas tudo isso?”, pergunta Rui. “Ora, doutor, pra mim fazer este conserto, gasto muito tempo e...” no que foi interrompido pelo acadêmico: “Pra mim é errado. O certo é dizer para eu”. E concluiu: “Agora, cobro-lhe C$ 5,00 pela lição de português e só lhe devo, portanto, apenas C$ 20,00”.


Observação;

Ruy Barbosa, pelo estilo de linguagem sofisticada, passou a ter "histórias" atribuídas a ele, mais pelo folclore humorístico do que fatos verdadeiros.


5 comentários:

  1. Nos tempos de hoje, nós com a nossa ignorância linguística, ao lermos os contos que fazem referência ao grande Rui Barbosa devemos nos sentir felizes por termos sidos presenteados por Deus uma sabedoria dessa ter nascido em solo brasileiro.
    Obrigado Rui Barbosa por todo ensinamento que deixou para o mundo.

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  2. Hilárias anedotas que desligam-me dos afazeres que urgem .......Rsrsrsrsrs....

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  3. Um homem muito inteligente com tanta arrogância como,vai falar assim com um barqueiro. Se e comigo eu pergunta, vai se fuder mano quer passar a porra do rio fala logo não vem encher a porro do saco.

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  4. Amigo "Carpe diem", essa história nunca aconteceu. Ela faz parte do folclore literário brasileiro, porque Ruy Barbosa, por ser erudito, falava buscando palavras difíceis. E se ele, um dia tivesse numa situação real com um barqueiro, ele jamais falaria assim.

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