quarta-feira, 2 de abril de 2014

Histórias da Vida Real

Lógica impecável


Wendel Phillips


Wendel Phillips, famosos líder abolicionista americano, viajou certa vez de trem por Ohio e encontrou-se no carro com um grupo de ministros da Igreja Protestante em regresso de uma convenção. Um ministro do Sul, obviamente hostil a Phillips por causa das ideias abolicionistas deste, começou a conversa:
- O senhor é Wendel Phillips, não é?
- Sou, sim, senhor.
- O senhor é o homem que pretende libertar os negros?
- Sim senhor.
- Então, por que prega por aqui em vez de ir para Kentucky, onde estão os negros?
Phillips silenciou por um momento. Depois disse:
- O senhor é ministro, não é?
- Sim, sim, senhor.
- E o senhor pretende salvar as almas do fogo do inferno, não é?
- Pretendo, sim, senhor.
- Então – prosseguiu Phillips com sua lógica impecável – Por que o senhor não vai para o inferno?


Viver de Letras

Alexandre Dumas


Alexandre Dumas, nome ignorado até então, chegou a Paris e apresentou-se ao general Fay a quem fora recomendado. O velho militar indagou:
- Que sabe o meu amigo? Estudou Matemática?
- Não, general.
- Mas tem, talvez, algumas noções de Geometria, de Física?
- Desconheço inteiramente tais matérias.
- E alguns rudimentos de Direito?
- Também não, general.
- E Latim ou Grego?
- Muito menos.
- Tem, acaso, prática de escritório comercial?
- Nenhuma.
Disse-lhe, então o general, compadecido já de tanta ignorância:
- Dê-me o seu endereço. Pensarei, oportunamente, num meio de ajudá-lo. Por enquanto não vejo nenhuma possibilidade a seu favor, tamanho é o desconhecimento que revela sobre todos os assuntos essenciais ao desempenho de uma profissão qualificada.
Num recorte de papel estendido pelo general, Alexandre Dumas escreveu o seu endereço:
- Estamos salvos! – exclamou o general. Tem, pelo menos, uma linda letra. Vamos aproveitá-lo como copista de textos na Biblioteca Nacional.
Após iniciar o trabalho, Dumas foi agradecer ao general o emprego que lhe destinara. E disse-lhe:
- Vou viver da minha “letra”, general; mas asseguro-lhe que, um dia, hei de viver das letras...


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