terça-feira, 22 de abril de 2014

Histórias e Personagens da MPB

Madame Satã, o homem que matou Geraldo Pereira.



Madame Satã


Geraldo Pereira (1918 - 1955), autor de sambas sincopados, é o compositor dos seguintes sambas: Falsa Baiana, Bolinha de papel, Escurinho, Pedro Pedregulho, Escurinha, Acabou a sopa, entre tantos outros sambas geniais. Era um negro forte, alto e bom de briga, mas morreu em conseqüência de uma luta com Madame Satã (João Francisco dos Santos – 1900 –1976) que, apesar de ser homossexual, também era uma lenda viva da Lapa, fechando bares e enfrentando às terríveis Polícias Especiais (Polícia de Choque) e D.G.I. (Departamento Geral de Investigação), que enchia de pavor quem andasse nas ruas.


Geraldo Pereira

Madame Satã é quem conta a história: “Eu entrei no Capela e estava sentado tomando um chope. Ele chegou com uma amante dele, pediu dois chopes e sentou-se ao meu lado. Aí cismou que eu tinha que tomar o chope dele e ele tinha que tomar o meu. Ele pegou o meu copo e disse pra ele: Olha, esse copo é meu. Aí ele achou que aquele copo era dele e não era o meu. Então eu peguei meu copo e levei para a minha mesa. Aí ele levantou e chamou pra briga. Disse uma porção de palavras obicênias, eu não sei nem dizer essas coisas. Aí eu perdi a paciência, dei um soco nele, ele caiu com a cabeça no meio-fio e morreu. Mas ele morreu por desleixo do médico, porque foi para assistência vivo.”


Nélson Gonçalves, o bom de briga.


O cruzado de direita alcançou a ponta do queixo do negro forte, que caiu, nocauteado, no chão do botequim. O branco magrela, autor do golpe, saiu espantado olhando a vítima, enquanto os frequentadores se entreolhavam, admirados. Encontrou Madame Satã, malandro da Lapa, a quem conhecia, e pediu para ele ver se o desafeto estava vivo. Satã voltou: “Rapaz, você botou no chão o Miguelzinho Camisa Preta”.

Ao ouvir o nome do mais perigoso marginal do Rio, o “italianinho” tremeu e pensou em retornar para São Paulo. Mas Satã trazia Miguelzinho a seu lado que, agradecendo a lealdade do magrelo (por não ter pisado na cara dele, depois de caído, como era praxe), estendeu a mão em amizade. Nascia o mito de mais um valente na Lapa. Nélson Gonçalves (1919 – 1998), gaúcho de Santana do Livramento.


Cyro Monteiro, gozador até na hora da morte.


No dia 13 de julho de 1973, em um hospital, Cyro Monteiro (1913 – 1973) preocupava a todos, alternando períodos de lucidez com coma. Ao fazer um teste de consciência, perguntaram-lhe o nome. Sem abrir os olhos, com o habitual sorriso sacana, o cantor respondeu num sussurro: “Roberto Carlos”. Pouco depois da última piada, estava morto.

Formigão para os amigos e “O cantor das Mil e uma Fãs”, como era apresentado nas rádios, foi quem lançou Lupicínio Rodrigues para o sucesso com a música Se acaso você chegasse, em 1938.

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