terça-feira, 15 de abril de 2014

Máximas e Mínimas do Barão de Itararé




O voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim, afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato.

De onde menos se espera, daí é que não sai nada.

O feio da eleição é se perder.

Tudo seria fácil se não fossem as dificuldades.

Sábio é o homem que chega a ter consciência da sua ignorância.

A moral dos políticos é como elevador: sobe e desce. Mas, em geral, enguiça por falta de energia, ou então não funciona definitivamente, deixando desesperados os infelizes que confiam nele.

Que faz o peixe, afinal?... Nada.

Quem empresta, adeus...

O banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro.

Pobre, quando mete a mão no bolso, só tira os cinco dedos.

A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana.

Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato.

Genro é um homem casado com uma mulher cuja mãe se mete em tudo.

Dizes-me com quem andas e eu te direi se vou contigo.

Negociata é todo bom negócio para o qual não fomos convidados.

Senso de humor é o sentimento que faz você rir daquilo que o deixaria louco de raiva se acontecesse com você.

Mulher moderna calça as botas e bota as calças.

A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda.


Oráculo ambíguo

        Na antiga Grécia havia um célebre oráculo, que respondia com segurança a todas as perguntas que se lhe fizessem sobre o futuro, que para nós hoje já é passado. Um pai aflito, um dia, perguntou ao oráculo se o seu filho, que devia partir para a guerra, regressaria são e salvo.
O oráculo respondeu por escrito:

"Irás virás nunca morrerás nas armas".

       O pai ficou satisfeitíssimo com a resposta. Mas a sua alegria não durou muito tempo. Logo depois de dois meses recebeu a dolorosa notícia da morte do filho em combate. Desesperado, foi ao oráculo, a fim de reclamar contra o engano da profecia. O oráculo lamentou muito o que havia sucedido, mas fez ver ao velho pai que nada tinha a corrigir. A sua profecia estava certa e havia se cumprido.

         O que ele respondera era o seguinte: 

"Irás. Virás nunca. Morrerás nas armas".


Fonte:- Almanhaque d'A Manha - Primeiro Semestre,
produzido por Apparício Torelly, o Barão de Itararé (1895-1971).

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