terça-feira, 8 de abril de 2014

Mulheres pioneiras


       Em 1888, foram diplomadas as primeiras doutoras – médicas e advogadas – do Rio de Janeiro, acontecimento que França Júnior glosou, com espírito conservador, em sua comédia. O título deste comentário versificado, publicado no O País de outubro daquele ano.

Bacharéis de saias


Se já na vida caseira
Gosta a mulher de chicana,
O que será, imaginem,
Vestindo a toga romana!

Calculem se há promotor
Que alguma vez se aventure
A replicar-lhes a arenga
Num julgamento do júri!...

Jesus! Vai ser o dilúvio!
Vira o mundo pelo avesso!
O marido entra mais tarde,
A mulher... arma um processo!

A esposa, dócil outrora,
Pede um chapéu, um vestido;
Não consegue? Isto é sumário:
Processo contra o marido!

Se um noivo, por qualquer coisa
Roer a corda à conquista,
Ela embarga a bilontragem
E ganha... em grau de revista!

Se o marido, entrando em casa,
Acha caras diferentes,
Não desconfia da esposa...
Com certeza... são clientes!

E se uma sogra é formada
Em ciência judiciária,
Pode o genro, em pouco tempo,
Gozar... de uma ação sumária!

Desta vez é que são elas!
Crise imprevista, não tardas!
Agora é que vamos ver-nos
Metidos em calças pardas!


(Do livro “Antologia de humorismo e sátira”. De R Magalhães Júnior)


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