quinta-feira, 17 de abril de 2014

Oração do lavrador



Abençoa, ó Terra querida,
as mãos que lhe deposita os grãos.

Louva, ó Terra bendita,
a alma que lhe fecunda o ventre.

Suporta, ó Terra querida!
o corte que lhe faz o broto.

Acolhe, ó Terra bendita,
o rasgo que lhe faz a raiz.

Ampara, ó Terra querida,
o tronco que lhe pede sustento.

Regozija, ó Terra bendita,
com as flores que lhe enfeitam o chão,

Amadurece, ó Terra querida,
o fruto da gesta do pão.

Exalta, ó Terra bendita,
os pés que lhe colhe os frutos.

Repousa, ó Terra querida,
da gestação e da nossa vida.

Abençoa, ó Terra bendita,
a alma que sacia a tua lida.

Louva, ó Terra querida,
o lavrador na oração de cada manhã.

Abençoada e louvada seja,
sagrada terra do sertão,

Peço licença entoando essa canção
pra humildemente lhe depositar essa semente,

O pão nosso de cada dia
é o bendito fruto do vosso ventre.

Perdoa, ó Terra, nós pecadores,
por nos deixarmos cair em tentação.

Perdoa-nos, ó Mãe Terra,
por lhe trairmos nas depredações.

Acolhe em teu ventre a insensatez humana,
perdoa-nos e faça florir nossos áridos corações.

Abençoada e louvada seja
a sagrada terra do sertão.

Abençoada e louvada seja
abençoada e louvada seja, amém.


Gilberto de Castro Rodrigues


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