sexta-feira, 11 de abril de 2014

Os paraquedistas choram



Poema de um Paraquedista israelense em frente ao muro das lamentações
 na Guerra dos Seis Dias em 1967.

Haim Hefer

Este muro ouviu muitas orações
Este muro viu a queda de vários outros muros.
Este muro sentiu o toque de mulheres em luto.
Este muro sentiu os pedidos guardados em suas pedras.
Este muro viu Rabbi Yehuda Halevi ajoelhado a sua frente.
Este muro viu césares levantarem e caírem.
Mas este muro nunca tinha visto paraquedistas chorarem.
Este muro os viu cansados e aflitos.
Este muro os viu feridos e mutilados.
Correndo a ele com alegria, choros e silêncio,
E rastejando como animais feridos nas ruelas da Cidade Velha,
Enquanto cobertos com pó e com lábios rachados
Eles sussurram “Se eu esquecer você,
Se eu esquecer você, Jerusalém...”
Eles são velozes como águias e fortes como leões,
E seus tanques – as ferozes carruagens de Eliahu, o profeta.
Eles passam com barulho.
Eles passam em fila.
Eles relembram os dois mil horríveis anos,
Quando nem mesmo existia um muro
Onde pudéssemos deixar nossas lágrimas
E aqui eles permanecem e respiram a poeira
Como eles o olham com uma suave dor
E lágrimas escorrem e eles se olham perplexos.
Como pode paraquedistas chorarem?
Como pode eles tocarem o muro com tamanha emoção?
Como pode o seu choro transformar-se em música?
Talvez porque estes garotos de dezenove anos,
nascidos junto com o Estado,
Talvez porque estes garotos de dezenove anos
carregam sobre seus ombros dois mil anos.


Haim Hefer


Haim Hefer: Letrista e poeta. Nascimento:29 de outubro de 1925, Sosnowiec, Polônia
Falecimento: 18 de setembro de 2012, Tel Aviv, Israel. Indicações
Prêmio Globo de Ouro: Melhor Canção Original



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