sábado, 19 de abril de 2014

Para que serve as mãos?

(Ghiaroni)







Para que serve as mãos?
Para pedir, prometer, chamar, conceder, ameaçar, exigir, acariciar,
matar, condenar, suplicar, benzer, rogar, aplaudir, escrever e trabalhar.
A mão de Maria Antonieta, ao receber o beijo de Mirabeau,
salvou o trono da França e apagou a auréola do famoso revolucionário.
Mússio Sévolo queimou a mão que, por engano, não matou Porceana,
e foi com as mãos que Jesus amparou Madalena.
As mãos dos Césares romanos decidiam a sorte dos gladiadores vencidos na arena.
Pilatos lavou as mãos para limpar a sua consciência
e foi com as mãos que Judas pôs ao pescoço o laço que os outros Judas não encontraram.
A mão aberta, acariciando, mostra a bondade,
mas fechada e levantada indica força e poder,
ela medica chagas, protege os pobres, ampara os infelizes.
Com as mãos os heróis empunham as espadas e os carrascos a corda.
Com as mãos o agricultor semeia e o anarquista incendeia.
Com as mãos construímos os bálsamos e os instrumentos de tortura,
os remédios e os venenos, a arma que fere e o bisturi que salva.
Com as mãos atiramos o beijo e uma pedra,
uma flor e uma granada, uma esmola e uma bomba.
Com as mãos tapamos a vista para não ver
e com elas protegemos a vista para enxergar melhor.
Os olhos dos cegos são as mãos, os mudos falam com as mãos,
a mão na agulheta do submarino leva o homem para o fundo do mar como os peixes
e no volante da aeronave joga o homem para a altura como os pássaros.
Deus abençoava com as mãos.
O noivo para pedir a noiva em casamento pede-lhe a mão.
O amigo, no primeiro contato, fala com as mãos,
e nas despedidas são as mãos que ficam por longo tempo acenando um lenço no ar.
E nos dias extremos da vida, quando nascemos para o mundo
e quando morremos para sempre, ainda são as mãos que prevalecem.
Quando nascemos, para nos levar a carícia do primeiro beijo são as mãos maternas
que nos agasalham o corpo pequenino.
E no fim da vida, quando os olhos fecham, o corpo gela e os sentidos desaparecem,
ainda são as mãos brancas de cera que continuam na morte as mesmas funções da vida.
E a imagem do Nazareno pregado à cruz vai conosco para debaixo da terra
em nossas mãos cruzadas sobre o peito, e as mãos dos amigos nos conduzem,
e as mãos dos coveiros nos enterram.

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