quarta-feira, 16 de abril de 2014

Pequenas histórias de famosos


Colbert, ministro de Luiz XIV, era um homem muito modesto. Andava sempre a pé e carregava ele mesmo a sua pasta, dispensando o auxílio de empregados ou secretários. Certo dia, vendo-o chegar a pé, o rei não se conteve e disse:
- O senhor ministro de Luiz XIV, confundindo-se com a multidão e andando a pé?...
- Majestade – respondeu-lhe Colbert – a valor de um magistrado não está nos pés, mas sim na cabeça...

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Perguntaram um dia a Chamfort – gênio misantrópico – qual seria a sua definição de uma mulher bonita.
- Uma mulher bonita – respondeu ele, depois de um momento de hesitação – é um paraíso para os olhos, um inferno para a alma e um verdadeiro purgatório para o bolso...

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Diz-nos a história que Tamandaré, o grande filho do Rio Grande, almirante, Marquês e Conselheiro da Coroa e Grande do Império, pois que tudo isso ele o foi, gostava de andar pela casa descalço e em roupas de riscado.

Outro grande ilustre marinheiro brasileiro, um filho de Desterro, Santa Catarina, Francisco Cordeiro Torres e Alvim, também titular do Império, pois que era Barão do Iguatemi, gostava de deitar-se numa rede no fundo do quintal e em mangas de camisa.

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O célebre escritor francês, Rodin, recebeu um dia o escritor Paul Gsell em sua residência. Caminhando no jardim, chegaram a um lago, onde uns brancos cisnes moviam-se lentamente. Uma das aves esticou o pescoço, abrindo o bico, em ameaça para o lado do visitante, quando este aproximou-se do lago. Ante o acolhimento hostil da ave que emitia um chiado em cólera, o forasteiro comentou que os cisnes eram animais desprovidos de inteligência.
- Mas - respondeu o escultor – eles têm a inteligência das linhas, e isso me basta.
E sorriu para o visitante, como que a pedir desculpas da agressividade de seus alvos palmípedes.

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Alguém perguntou ao estadista inglês Gladstone quantos discursos um político podia preparar numa semana.
- Depende – respondeu Gladstone – se trata de um homem sensato, poderá preparar um; já um indivíduo medíocre preparará dois ou três; mas um imbecil preparará até dez.

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O humorista norte-americano Mark Twain viajava de pé no interior de um bonde cheio de passageiros. Numa curva, perdeu o equilíbrio e foi cair no colo de uma senhora formosa e elegante.
- Senhora (disse Mark Twain), esta é a primeira vez que a empresa dos bondes me fez um favor!

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 Mark Twain, nos seus dias de repórter de jornal em que trabalhava no sentido de jamais afirmar um fato sem que o tivesse comprovado pessoalmente.
 Enviado pouco depois, para cobrir importante acontecimento social, redigiu a seguinte nota:

“Consta que uma mulher, que afirma chamar-se Sra. Jones e parece ser uma das figuras mais importantes da sociedade local, ofereceu ontem, ao que tudo leva a crer, uma recepção a um grupo de damas que se dizem da alta sociedade. A anfitriã declara ser esposa de conceituado advogado desta cidade”.
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Swift era contra casamentos precoces e como o aconselhassem a esperar que seu filho tivesse mais juízo, antes de casá-lo, respondeu:
- Se meu filho tomar juízo, não se casará.

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O Marquês de Lavradio, que tanto fez, como vice-rei, pelo asseio da cidade, era, como se sabe, indiscretamente dado às aventuras amorosas. Por esse tempo havia no Rio de Janeiro um doido, tipo popular, de nome Romualdo, famosos pelo modo desabusado porque tratava toda a gente.
Encontrando-se uma vez, o vice-rei perguntou-lhe de bom humor:
- Então, Romualdo, que dizem por aí de mim?
- Dizem que Vossa Excelência limpa as ruas, mas suja as casas! – respondeu-lhe o aluado.
E foi saindo.

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“Hoje, nada de novo” – escreveu Luís XVI, no seu “Diário” particular, no dia 14 de julho de 1789, dia da Revolução Francesa.

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A magreza de Katherine Hepburn foi motivo de muitas piadas em Hollywood. Bop Hope, por exemplo, contava sempre esta:
- Uma vez, eu estava parado na porta do estúdio. Chegou um carro vazio e desceu dele a nossa querida Katherine...

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A respeito de sua altura (era muito baixo) disse Rui Barbosa: “O valor de um homem mede-se das sobrancelhas para cima”.
 “Sou pequeno, mas fito os Andes”. – disse Rui Barbosa a um político que o chamou de “homem pequeno”.

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O médico inglês Hill apresentou-se à Sociedade Real de Medicina de Londres e não foi eleito. Algum tempo depois do fracasso, mandou àquela Sociedade o relatório de uma cura maravilhosa que acabara de obter com um dos seus doentes.
“Um marinheiro quebrara a perna; eu juntei as duas partes da perna quebrada e, depois de tê-las amarrado fortemente com um barbante, cobri tudo com alcatrão. Dentro de muito pouco tempo o marinheiro sentia a eficácia do remédio, e não tardou a servir-se da perna como dantes”.
Discutiu-se muito a eficiência do tratamento; iam-se publicar os resultados, quando chegou carta do doutor Hill:
“Na minha última carta”, escreveu ele, “esqueci-me de dizer que a perna quebrada do marinheiro era uma perna de pau”.

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Um homem perguntou certa vez a Aristides quanto lhe cobrava para lhe educar um filho.
 - Mil dracmas – respondeu Aristides.
- Quê?! Isso é um dinheirão para ensinar uma criança! – replicou o homem – Por mil dracmas compro um escravo!
- Pois bem – tornou Aristides – ficarás então com dois escravos: teu filho e o que comprares!...


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