sábado, 19 de abril de 2014

Prosopopeia da Pepa ao Pupo

       

Emílio Menezes foi talvez o mais exímio de todos os humoristas na chamada “Gramática” do humor verbal. Em “Prosopopeia da Pepa ao Pupo”, soneto totalmente elaborado com a letra P, ele retrata uma notícia de 1904 que dizia que o sr. Pupo de Morais e sra. Pepa Ruiz de Souza (esta última atriz dos teatros de revista) andavam em negociações para arrendamento do mercado do Rio de Janeiro:



Parece peta! A Pepa aporta à praça
E pede ao Pupo que lhe passe o apito
Pula do palco, pálida, perpassa
Por entre um porco, um pato e um periquito.

Após, papando em pé pudim com passa,
Depois de peixes, pombos e palmito,
Precipite por entre a populaça,
Passa, picando a ponta de um palito.

Peças compostas por um poeta pulha
Que a papalvos perplexos empunha
Prestando apenas pra apanhar os paios.

Permuta a Pepa por pastéis, pamonha...
Que a Pepa apupe o Pupo e à popa ponha
Papas, pipas, pepinos, papagaios!


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(Do livro “Raízes do Riso”, de Elias Thomé Saliba)
Companhia das Letras



Emílio de Menezes






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