sábado, 5 de abril de 2014

Quem não arrisca...

(Ferenc Molnàr, no livro The Captain of St. Margaret´s)


Um oficial húngaro, precisando de dinheiro para pagar as suas dívidas de jogo, decidiu vender um velho anel de família. Colocou-o no estojo de couro vermelho e mandou-o, pelo correio, a um negociante de joias de sua cidade natal, um velho chamado Schurz. Sabendo que o negociante era muito “apertado”, o oficial enviou-lhe, com o anel, a seguinte nota:

“Se quiser pagar 3.000 coroas por este anel, fique com ele. Caso contrário, devolva-me a joia imediatamente. Não o vendo absolutamente por menos.”

Mas o negociante, desdenhando a advertência do oficial, respondeu-lhe, por telegrama:

“Anel não vale 3.00 coroas. Ofereço duas mil.”

O oficial, furioso, replicou:

“Nada de regateios. Três mil.”

O negociante não se deu por achado, e tornou a telegrafar:

 “Ofereço 2.500 coroas. Positivamente, nem uma coroa a mais.”

A essa altura, o oficial perdeu a paciência, e telegrafou:

“Preço 3 mil. Devolva o anel imediatamente.”

Poucos dias depois, o oficial recebeu um pacote registrado, em que encontrou o estojo de couro cuidadosamente amarrado, acompanhado de uma nota:

“Como perito, afirmo-lhe que o anel não vale 3 mil coroas. Ninguém lhe dará tanto, mas, como sou seu amigo, ofereço-lhe 2.800. É minha oferta final. Se quiser vender o anel por esse preço, não abra o estojo; basta que torne a enviá-lo como está. Caso contrário, fique com o anel, que não me interessa.”

O oficial, exasperado, decidiu que só venderia o anel pelas 3 mil coroas a outro comprador qualquer, e abriu o estojo. E lugar do anel, encontrou outra nota que dizia:

“Está bem, está bem, não se exalte. Eu pago as 3 mil coroas.”



(Seleções do Reader´s Digest, de dezembro de 1945)


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