terça-feira, 1 de abril de 2014

Sonetos



Soneto XVII


(Artur Azevedo)


Tertuliano, frívolo, peralta,
Que foi um paspalhão desde fedelho,
Tipo incapaz de ouvir um bom conselho,
Tipo que morto não faria falta.

Lá um dia deixou de andar à malta
E indo à casa do pai, honrado velho,
A sós na sala, em frente de um espelho,
À própria imagem disse em voz alta:

- Tertuliano, és um rapaz formoso!
És simpático, és rico, és talentoso!
Que mais no mundo se te faz preciso?

Penetrando na sala a pai sisudo,
Que por trás da cortina ouvia tudo
Serenamente respondeu: “Juízo”.


Quadras populares


Nunca soubeste, Maria,
Nem sabes – valha-me Deus!
As coisas que eu te diria...
Se fosse um brinco dos teus...

O amor é como o trigo,
De verde passa a amarelo,
Do amor ficam palavras,
Do trigo fica o farelo.

Tão bonita e sem amores
Á minha mente recordas
Uma jarra sem ter flores
Um bandolim sem ter cordas.

A mulher é uma esfinge
Que nos parece uma pomba;
Às vezes sorrindo finge.
Às vezes chorando zomba.

(Folclore português)

 

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