sexta-feira, 16 de maio de 2014

Charuto - o torcedor símbolo




Foto: Revista do Globo


Ninguém saberia dizer seu nome – mas, pelo apelido de Charuto, todos o conheciam. Figura folclórica do futebol gaúcho entre as décadas de 1930 e 1950, ele era considerado torcedor-símbolo do Internacional. De vida humilde, era representante legítimo do clube do povo. Fazia biscates nas docas do Cais do Porto. Carregador de caixas de frutas, verduras e legumes, guardava chuchus estragados para lançar sobre a torcida gremista.

Forte, com roupas puídas e, invariavelmente alcoolizado, não existia frequentador do antigo Estádio dos Eucaliptos que não soubesse quem ele era. Se não tinha ingresso, podia contar com a benevolência dos porteiros e com a generosidade de outros torcedores, dispostos a pagar a sua entrada e a comprar as cervejas a mais que o ajudassem a ficar suficientemente calibrado – a ponto de, às vezes, cair no sono durante a partida, depois de circular de um lado a outro gritando: “Co-ro-ra-do! Co-ro-ra-do!”.

Charuto permanecia de costas para o campo e fascinava o garoto Luis Fernando, que ficava encantado vendo aquele “colorado em estado puro”. Tempos depois, quando o garoto transformou-se no cronista Luis Fernando Veríssimo, a memória daquele torcedor único continuava para ele como exemplo de amor perene e incondicional pelo seu clube. Como confessou numa antológica crônica, “o adversário, o resultado, o próprio jogo, pouco interessavam, o importante era estar ao lado de seu time. Ganhando ou perdendo”.

No dia 7 de dezembro de 1952, houve um Gre-Nal e o Inter venceu por 5 a 1. Entre as centenas de torcedores que lotavam os Eucaliptos, faltava um. Três dias antes da partida, Charuto envolveu-se numa briga e foi morto. Para aqueles que o conheceram, ainda faz falta.


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