terça-feira, 6 de maio de 2014

É isso aí – Humor VIP




Conta-se que Agrippino Grieco, crítico literário temido pela língua afiada no Rio de Janeiro dos anos 40 e 50, cortava o cabelo num salão do Meyer, onde morava, quando foi instado pelo barbeiro, que o atendia há anos, a fazer o prefácio de livro que ele escrevera.
O prefácio não posso, argumentou o crítico; teria que ler o livro todo, o que é impossível para mim, que já tenho em casa, à espera de leitura, originais de autores de todo o país. Então, tornou o barbeiro, o Senhor poderia fazer ao menos o título. O título, pode ser, disse Agrippino Grieco. E perguntou:
− Seu livro fala em trombones?
− Não.
− E em trombetas? Volveu Agripino.
− Também não.
− Então – concluiu o crítico, aliviado –, aí está o título: “Sem trombones e sem trombetas.”


Churchill combateu sozinho o nazifascismo, entre junho de 1940 (capitulação da França) e junho de 1941 (invasão da União Soviética). Apesar de arcar com tamanha carga de responsabilidade, nunca perdeu os senso de humor. Expressava-o sob as formas mais variadas nas ocasiões mais diversas. Discursando no Parlamento, disse que o ariano puro, o modelo da raça ideal por que o nazismo agredia o mundo e tentava escravizá-lo, devia ser um homem “louro como Hitler, alto como Goebbels e magro como Goering”.


Jânio Quadros tinha fama de grande bebedor. A verdade é que nunca ninguém o viu embriagado. Tinha resistência notável ao álcool, Pagou tributo, entretanto, à versão. Não pôde evitar que o abordassem sempre para ligá-lo à bebida. À medida, porém, que o fustigavam, ele reagia mais mal-humorado. Até que um jornalista perguntou por que ele bebia whisky. Jânio disparou: “Bebo porque é líquido. Se fosse sólido, comê-lo-ia”.


A vivacidade mineira teve em José Maria Alckmin um expoente. Poucos o superaram na resposta imaginosa, na “saída” esperta, na capacidade de escapar a dificuldades no diálogo penoso. Ele encontrou um jovem jornalista de cujo pai era amigo e perguntou: “E seu pai, como vai?“ Aparentemente, não se deixou intimidar pela resposta constrangedora: “Meu pai morreu há um mês, deputado” Alckmin retrucou, severo: “Morreu para você, que é um ingrato. Para mim, está muito vivo, aqui no meu coração!” (e bateu forte, no peito).


1960. Viajando a Goiás em companhia de Jânio Quadros, de quem era companheiro de chapa, com candidato à vice-presidência da República, Milton Campos participava da numerosa comitiva levada pelo avião, um Viscount, de quatro motores, o avião mais seguro do começo da década. Mas como todas as viagens pelo ar têm seu lado precário, o comandante se perdeu – e não encontrava o rumo de Goiânia, enquanto o combustível escasseava. Houve instante em que Milton, desconfortado, fez um movimento mais brusco, mexendo-se no assento. E a aeromoça, atenta, para ser gentil, perguntou se ele estava sentindo falta de ar. A resposta foi bem de Milton Campos: “Falta de ar? Não, minha filha, estou sentindo falta de terra!”.



(É isso aí! – Humor VIP – Arnaldo Lacombe)



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