terça-feira, 6 de maio de 2014

Lendas de Assombração de Porto Alegre

A lenda da Moça que dançou depois de morta

          
Esta lenda é muito popular em Porto Alegre.

Diz que um moço foi a um baile, no bairro da Glória, numa noite de sábado. Lá, viu uma moça muito bonita e triste. E sozinha, o que era uma coisa incomum, à época. Dançou com ela o que deu, até que à meia-noite ela disse que precisa ir para casa.

Encantado com sua beleza e comportamento, o moço quis acompanhá-la, ainda mais porque ela estava sozinha. Ao saírem à rua, a moça estremeceu de frio e se abraçou, arrepiada. Então o rapaz, muito educado, ofereceu-lhe a capa, na qual ela se enrolou, agradecida.

Os dois atravessaram o morro da Glória – onde fica o cemitério e desceram um pouco a lomba, como quem vem para o centro. Diante de uma casa a moça parou e disse: “Eu moro aqui”. Quis devolver a capa, mas o rapaz não aceitou, pensando numa desculpa para ver a moça ao meio-dia de domingo... Ela sorriu e nada disse, entrando na casa.

No domingo, perto do meio-dia, o moço voltou a casa, teoricamente para rever a capa, mas na realidade esperando um convite para almoçar e, quem sabe, começar um namoro. Foi recebido por um homem maduro e muito triste. O rapaz só então se deu conta que não tinha perguntado o nome da moça, na noite anterior. Vai daí, disse ao velho:

 O senhor é o pai da moça que mora aqui?

 Aqui não mora moça nenhuma. – Disse o homem triste.

 Mora, sim. Eu vim com ela ontem de um baile e ela entrou aqui. Emprestei a minha capa para ela, porque estava frio e fiquei de vir buscar hoje...

 É engano seu, deve ter sido noutra casa. – Contestou o velho.

E, ao abrir um pouco mais a porta, o rapaz espiou para dentro e viu o retrato da moça na parede. Alegrou-se, apontando:

 Olhe, lá está ela, é aquela do retrato!

Para surpresa dele, o velho olhou e disse:

 Aquela é minha filha, que morreu faz um ano.

O rapaz ficou abobado. Não queria acreditar. Era tão sincera sua surpresa que o velho se ofereceu para levá-lo ao túmulo da filha, no cemitério ali em cima. Foram. E lá estava o túmulo da moça, com seu retrato na cruz e em cima do túmulo, a capa do rapaz.

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Notas

Todo mundo conhece esta lenda, em Porto Alegre, e em 1954, quando cheguei aqui, conheci a casa na descida do cemitério, onde diziam que a moça tinha morado.

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(Do livro “Mitos e Lendas do Rio Grande do Sul”,
de Antonio Augusto Fagundes)
Martins Livreiro-Editor




2 comentários:

  1. essa historia me arrepio

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  2. quase morri quando disse que a capa do rapaz tava em cima do tumulo

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