sexta-feira, 2 de maio de 2014

Odeio reuniões - primeira parte




Afinal, se as reuniões não dão em nada, para que fazê-las?


Muita gente pergunta: “Para que serve as reuniões?” É uma boa pergunta, e deve ser considerada antes da próxima reunião.

As vantagens de resolver os problemas em grupo são evidentes para os que trabalham – ou fingem trabalhar – na indústria e no comércio. Reuniões satisfazem necessidades psicológicas profundamente enraizadas e assim não podem ser vistas como mera frivolidade. A saber, a reuniões criam oportunidades para:

 Consumir grandes quantidades de cafezinhos e biscoitos à custa da empresa.

 Rever colegas que a gente não via desde a reunião da véspera.

 Contar piadas.

 Inventar brincadeiras.

 Deitar falação.

‒ Se dar ares de importância.

 Fazer os outros parecerem sem importância.

 Escapulir da mesa de trabalho.

 Botar banca de líder.

 Mostrar grandes  conhecimentos sobre assuntos que a gente ignora completamente e/ou inventar neologismos.

 Dar uma descansada.

 Dizer para as outras pessoas que elas têm bloqueio mental.

 Reclamar (sobre a falta de organização, incompetência empresarial, atraso de pagamento, excesso de reuniões etc.)

 Ouvir das pessoas ideias que podemos apresentar como nossas em futuras reuniões.

 Delegar responsabilidades.


Esse último item é especialmente importante, sendo por si só razão suficiente para marcar uma reunião. Altos executivos sabem muito bem que é melhor ter uma porção de gente dividindo a mesma responsabilidade do que confiá-la a um único indivíduo. Seu êxito na tarefa levaria à eventual demissão de todo mundo na empresa, inclusive o presidente.

O pessoal reclama que nada, ou quase nada se resolve nas reuniões. Eles não pegaram bem o espírito da coisa. A principal finalidade de uma reunião é marcar outra, o maia breve possível e de preferência sobre o mesmo assunto.


Ao delegar responsabilidade, é importante saber em quem jogar a culpa se algo der errado, o que quase sempre acontece. Deve-se ter sempre em mente que essa responsabilidade deve ser dirigida para longe e nunca para o delegante. Isso é conhecido como Regra da Mão Única e é obedecida por todos os executivos bem-sucedidos.

A pessoa mais indicada para apontarmos um dedo acusador é a que ocupa a parte mais baixa no organograma. Identificar o culpado como alguém  numa posição mais elevada que a sua (seu chefe, por exemplo) não é só é considerado como falta de modos, mas como uma grande burrice. A menos que você tenha seu currículo à mão, é um risco que não aconselhamos.

Sua imaginação é o limite para descobrir o único responsável pelo seu ato. A recepcionista, por exemplo. Provavelmente ela não vai estar na reunião para se defender. E, mesmo que estivesse não teria a menor ideia do que você está falando. Ao acusá-la você terá também a oportunidade de mostrar o lado humano do seu caráter, sua irreprimível compaixão pelos desafortunados – outra prova de que você é feito de Matéria Empresarial, durão, mas sensível. As frases seguintes, quando se referir à culpada, dar-lhe-ão uma imagem positiva:

“Pobre coitada!”
“É muito jovem e inexperiente.”
“Não é uma pessoa de toda má.”
“Todos podemos nos enganar.”
“Errar é humano.”
“Pelo amor de Deus, ela é apenas uma recepcionista!”

          Se não houver recepcionista, tente in absentia a faxineira da noite.


Como dar ênfase ao Trabalho de Equipe e não ao seu

Nunca diga

Minha responsabilidade...

Meu...


Tem que ter minha assinatura...


Sou contra...


No meu modo de pensar...


Minha política tem sido...


Recomendo...


Aprovo...


Decido que...

Diga

Na nossa opinião...

A filosofia da nossa empresa recomenda...

Tem que passar pelo parecer dos presentes...

Somos todos contra...


Após muita reflexão...


Os procedimentos usuais...


Longe de mim fazer uma recomendação, mas...

Vamos submeter à aprovação de todos...

Vamos votar democraticamente...

Durante uma reunião, você poderá fechar seus olhos sem chamar a atenção. Seu estado letárgico será interpretado como se você estivesse imerso em profunda meditação. Em todo caso, olhos fechados são preferíveis a olhos vidrados.

Você só terá problemas se:

Dormir durante a reunião.

Roncar e acordar os outros.

Escorregar da cadeira e cair no chão.

Cair para frente e bater com a cabeça na mesa.


Não tem problema se costuma falar enquanto dorme. Ninguém vai notar a diferença entre o que você fala dormindo ou acordado. Se sofrer de sonambulismo, não se esquente a cabeça. Quando começar a se encaminhar pra a porta, o pessoal vai pensar que você está indo ao banheiro.

O que dizer quando não tiver nada em mente


Não diga

Concordo.






Discordo.





Sim.






Não.





Inaceitável.






Aceitável.
Diga

Certamente que concordo.
Compartilhamos da mesma
opinião.
Estou contigo e não abro.
É por aí...
Tá dando para entender agora.

Sou forçado a discordar de você.
Minha opinião é diferente.
Eu não diria isso.
Não estou acompanhado
 bem seu raciocínio.

Realmente.
Mas é claro.
É isso aí.
Acertou na mosca.
Podes crer.
Sim, sim, sim, sim.

De jeito nenhum.
Não pode ser.
Já considerou a possibilidade...
Mas nem de longe.
Não, não, não, não.

Quem dera que fosse possível
O problema aí é que...
Mao não a esta altura
Compreendo seu entusiasmo,
mas...


Boa ideia.
Eu assino embaixo.
É um caso a pensar...
Como é que eu não tinha
 pensado nisso?




Do livro "Odeio reuniões", de Sthephen Baker


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