segunda-feira, 30 de junho de 2014

Duelo Bento Gonçalves x Onofre Pires



Decorrido um ano da morte de Antônio Paulino, o Exército acampou em Topador atual nas pontas do Sarandi, próximo a Santana, atual. Onofre Pires falava abertamente tudo o que sentia em relação a Bento Gonçalves e no seio da tropa.

Bento, em carta, pediu que Onofre confirmasse ou não, por escrito, as acusações ofensivas à sua honra feitas em presença de terceiros. Onofre logo respondeu no outro dia confirmando, abrindo mão de suas imunidades parlamentares e colocando-se à disposição de Bento no local que este saberia encontrá-lo. Isto equivalia a um duelo, hipótese desejada por Onofre Pires que levava grande vantagem no seu porte atlético e com menos 10 anos de idade (44 x 54 anos). Bento Gonçalves procurou Onofre Pires e o desafiou para o duelo. Juntos afastaram-se meia légua - dia 27 de fevereiro de 1844.

Chegando ao local, entre outras trocas de palavras, Bento falou a Onofre que não tinha mandado matar Paulino da Fontoura. E se tivesse necessidade teria recorrido a um duelo como agora faria com ele.

Mesmo antes do duelo, Bento já dominava com seu carisma, o temperamental primo que ali servia de instrumento de terceiros, talvez até inconscientemente.

Iniciado o combate, Bento atingiu Onofre no antebraço direito o que interrompeu o duelo. O fato sem testemunhas tem provocado diversas versões.

Sobre esta, escreveu mais tarde o brigadeiro imperial José Gomes Portinho que fora destacado líder militar farrapo e insuspeito por amigo e cunhado de Antônio Vicente da Fontoura.

“Onofre foi ferido no braço direito. O mesmo Bento Gonçalves tratou da ferida, atando-a com seu próprio lenço, sendo Onofre conduzido para o campo e dai a sua casa (barraca) onde morreu passados dois dias. E isto por falta de médico. Não havia.”

Outro farrapo diz que “ficou um lanceiro cuidando de Onofre Pires e Bento foi buscar recursos”.

Ambos o dão como morto em 1° de março, dois dias depois. Antônio Vicente da Fontoura registrou dia 3 de março, ou quatro dias depois e de gangrena e que Bento foi preso por Canabarro.

Bento Gonçalves em carta a Domingos José de Almeida, de 9 de março de 1844 escreveu:


Bento Gonçalves

“Já meu compadre saberá do fim desastroso que teve o coronel Onofre que fazia o papel de general Santérre na facção desorganizadora, que o incitou a provocar-me tão atrevidamente. Ela contava com a vitória, porque olha para as coisas como lhe parecem, e não como são de fato. A paixão os domina e, por isso, vendo aquele homem tão corpulento, o julgaram um gigante e eu um pigmeu.

Enganaram-se e, depois escondendo todos o rabo, se retiraram dele, ao ponto de não achar-se um só desses malvados a seu lado, ao menos na hora da morte. Que malvadeza! Eu lamento sua sorte, mas não tenho o menor remorso, porque obrei como verdadeiro homem de honra. Em tais casos, obrarei sempre assim, não me importando com o tamanho, e nem a nomeada (fama) da pessoa que se atreva a atacar a minha honra.”


E assim teve fim Onofre Pires, cujos restos mortais devem estar em algum lugar nas pontas do Sarandi, atual Topador em Santana.


É uma vida que merece reflexão.

Caxias, por ocasião do duelo, marchava de Alegrete para Santana, conforme suas ordens-do-dia.

Onofre falecia quase oito anos depois do rumoroso fuzilamento que ordenou em Mostardas, no qual foi vitima ilustre o capitão Francisco Pinto Bandeira. Seria a confirmação do ditado popular “Quem com ferro fere, com ferro será ferido?”

Onofre Pires fez parte da minoria opositora (cerca de um 1/6) a Bento Gonçalves, na Assembleia Constituinte da República Rio-Grandense, em Alegrete. Seu perfil moral parece não ter feito honra a oposição que integrou e o usou como instrumento contra Bento Gonçalves, em momento critico da Revolução.




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