segunda-feira, 9 de junho de 2014

Fernandão, a chegada.



− Não te esperávamos tão cedo, Fernandão.
− Dallegrave, querido amigo, nem faz tanto tempo.
− Quero te apresentar alguns dos seus fãs aqui.
− Este é Frederico Arnaldo Ballvé.
− Já ouvi falar do senhor no Internacional. Muito.
− Aqui estão Gilberto Medeiros, Marcelo Feijó, Paulo Rogério Amoretty, Carlos Papaléo…
− Lá ao fundo está correndo um treino.
− Daqui não dá para identificar eles, Dallegrave.
− O treinador é Ênio Andrade e o cara botando eles para correr é o Gilberto Tim. Amanhã tem treino.
− Pega a tua camisa, a 9. És o novo titular do time aqui do céu.
− Parabéns pelo título Mundial/Fifa, garoto.
− Obrigado, Ballvé.
− A turma aqui de cima foi decisiva.
− Não entendi.
− Deus não joga, mas fiscaliza.
 − Continuo não entendendo.
− Então tudo acha que o Ronaldinho errou aquela falta.
− Não errou?
− Nós tiramos com os olhos.
− Tivemos uma conversinha com Ele, que é brasileiro.
− O Feijó adaptou uma música para ti, uma do Moacyr Franco. Virou Balada número 9. Canta aí, Feijó.

Ergue os seus braços e corre outra vez no gramado,
Vai tabelando o seu sonho e lembrando o passado,
No campeonato da recordação faz distintivo do seu coração,
Que as jornadas da vida, são bolas de sonho.
Que o craque do tempo chutou.
Cadê você, cadê você, você não passou,
O que era doce, o que não era não se acabou,
Cadê você, cadê você, você não passou,
No vídeo tape do sonho, a história gravou.

− E agora, todos juntos, que eu sei que tu vais gostar, Fernandão. Um, dois, três… Vamos  lá, puxa a cantoria, Fernandão.

Glória do desporto nacional
Oh, Internacional
Que eu vivo a exaltar
Levas a plagas distantes
Feitos relevantes
Vives a brilhar
Correm os anos, surge o amanhã
Radioso de luz, varonil
Segue a tua senda de vitórias
Colorado das glórias, Orgulho do Brasil.

Encontro-me em estado de choque, desnorteado desde que soube da tragédia.  A ficha não caiu. E talvez nunca caia.

(Hiltor Mombach – Correio do Povo, de 9 de junho de 2014)



Agradecimento da Família de Fernandão

“Eu e o Fernando nascemos e nos apaixonamos em Goiás. Foi aqui que decidimos construir uma vida juntos e onde escolhemos criar nossos filhos, Enzo e Eloá.

Nos últimos 13 anos vivemos intensamente o nosso amor. Meu marido era um homem movido a desafios e eu o seguia de olhos fechados. Quando Fernando me disse, em 2004, que queria voltar ao Brasil, eu não hesitei em arrumar a bagagem. Várias foram as propostas, mas ele escolheu o Sport Clube Internacional e Porto Alegre seria nossa nova casa. Foi amor à primeira vista e, acima de tudo, correspondido.

A torcida colorada nos ganhou desde a chegada à cidade. O gol 1000 do Gre-Nal era um presságio que Fernando, um homem de certezas e convicções inabaláveis, estava mais uma vez certo. O resto da história todo mundo sabe.

 Fernando foi tudo no Inter: diretor, técnico, jogador e, sempre torcedor. Depois que saímos de Porto Alegre seguimos torcendo pelo Colorado e é por isso que, pouco mais de 48 horas depois da tragédia que abalou nossa família e o mundo do futebol, escrevo essas palavras de agradecimento.

É impossível agradecer individualmente cada uma das mensagens que chegaram de diferentes formas até nossa família. Milhares delas vindas do Rio Grande do Sul.

Obrigada aos colorados que nos acolheram desde o primeiro momento e obrigada também aos gremistas que deram demonstrações de respeito pela figura do adversário. Obrigada aos torcedores dos clubes do interior e de todo o Brasil que, de diferentes formas, homenagearam meu marido.

A dor, que é imensa para mim, Enzo, Eloá e Thayná, é amenizada pelos afagos quentes que chegam do outono gaúcho. Tudo que Fernando veio fazer, ele fez.

 Ele foi embora com o dever cumprido. Como milhares de colorados cantaram para o Fernando “… Nunca te esquecerei…”.

Saibam também que ele, lá de cima, e nós aqui em casa nunca nos esqueceremos de vocês.“

(Fernanda Costa).



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