quarta-feira, 23 de julho de 2014

Uma curiosidade do tricolor gaúcho



Estadio da Baixada - 1920

E por falar em futebol, poucos sabem que o Grêmio já teve dois hinos, antes que Lupicínio Rodrigues matasse a charada em 1953. Após uma primeira canção assinada na década de 20 por Isolino Leal, em novembro de 1946 o clube realizou concurso para escolha de uma nova composição. O vencedor foi Breno Blauth, de apenas 15 anos, que teria a sua Marcha de Guerra do Grêmio gravada em disco por um ilustre tricolor: Alcides Gonçalves.*

* Cantor, compositor e pianista, parceiro de Lupicínio Rodrigues em músicas como: Cadeira Vazia, Quem há de dizer, entre outras.

P.S. Texto do livro”Minha Seresta – Vida e Obra de Alcides Gonçalves”, de Marcello Campos.

Marcha de Guerra do Grêmio FBPA

1946 – Marcha de Breno Blauth

Abram alas, abram alas,
Lá vem o quadro tricolor.
Nós estamos confiantes
No nosso onze de valor.

Nosso time da baixada
Não tem receio de nenhum,
Pois a bola vai ao golo
E a torcida quer mais um.

O Grêmio é o tal,
Não teme seu rival.
É o mosqueteiro
Do esporte nacional.

O nosso tricolor
É um quadro de valor.
Ele é fidalgo,
É destemido e é leal.

Viva o Grêmio, Viva o Grêmio,
Não ganhará o jogo em vão,
De conquista em conquista,
Vai ser de novo campeão.



O Hino Oficial do Grêmio FBPA

Em 1953, o Grêmio acabava de completar 50 anos, em 19 setembro. O banquete de comemoração foi realizado do Clube Mil e Uma Noites, no bairro Assunção, na Zona Sul de Porto Alegre. Esse clube, nos anos 70, passou a se chamar Bier House; depois se transformou em Clube dos Coroas. Hoje é um conjunto de apartamentos.

Num dia, do ano citado acima, o Grêmio iria jogar no Estádio da Timbaúva, campo do Força e Luz, o time da hoje CEEE. O estádio ficava na rua Alcides Cruz, início do bairro Petrópolis. No domingo do jogo, Lupicínio Rodrigues e outros torcedores estavam no centro da cidade para tomar o bonde que os levariam ao jogo. Aconteceu de estar ocorrendo uma greve dos funcionários da Carris. Portanto não haveria bondes circulando pela cidade. Alguém deu o alerta: “Pessoal, vamos todos a pé!”. Lupi logo sacou o mote: “Até a pé nós iremos...”.

Salim Nigri (morto em 2010 aos 82 anos) inventou um dos símbolos do Grêmio. Uma frase sua escrita em 1946, quando já era torcedor símbolo, originou o refrão do hino gremista. Salim pintou em letras brancas numa faixa azul: Com o Grêmio, onde estiver o Grêmio”. Lupicínio Rodrigues modificou a rima com uma inversão na ordem da sentença e fez o hino.

Até a pé nós iremos
Para o que der e vier,
Mas o certo e que nós estaremos
Com o Grêmio onde o Grêmio estiver.

Cinquenta anos de glória
Tens, imortal tricolor,
Os feitos da tua história,
Canta o Rio Grande com amor.

Nós, como bons torcedores,
Sem hesitarmos sequer,
Aplaudiremos o Grêmio
Onde o Grêmio estiver.

Lara, o craque imortal,
Soube seu nome elevar,
Hoje, com o mesmo ideal,
Nós saberemos te honrar.

Até a pé nós iremos
Para o que der e vier
Mas o certo e que nós estaremos
Com o Grêmio onde o Grêmio estiver.



Estádio Olímpico e entorno em 1954


Inauguração do Estádio Olímpico em 1954


Nenhum comentário:

Postar um comentário