segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Do Almanaque “Tchê”

Nada


O comercial que eu gostaria de ver na TV. Um homem elegante, com dedos na posição de quem segura um cigarro aceso, mas não segurando nada, olha para câmera e diz, sedutoramente:
“Há uma maneira mais inteligente de cortar o alcatrão e a nicotina. Aqui está ele. O cigarro com os mais baixos teores do mercado. Zero de alcatrão, zero de nicotina: Nada, o ultraleve.
Veja como ele é elegantemente discreto. E que suavidade! Nada vem em todos os tamanhos imagináveis. Basta você imaginar um tamanho. Fume Nada. A decisão inteligente do homem que sabe o que não quer: câncer.
Nada. Este cigarro não existe...”

Luís Fernando Veríssimo


Causo I

O poeta Vargas Neto costumava contar o causo dum tal Andrino Sutil das Dores, um preto valentão, herói de muitas revoluções e duelos. Forçado a uma cirurgia de certa gravidade, já estava na mesa de operação, prestes a ser anestesiado, quando viu o médico aproximando-se como o bisturi. Olhou para o médico e disse:
- Doutor, esse vai ser em toda a minha vida o primeiro talho que não defendo!

(L.F Veríssimo, narrado por Érico Veríssimo)


Quadrinhas populares

Andou de boca em boca por todo o Brasil, quando assumia a governança de São Paulo, o então deputado Adhemar de Barros, a seguinte quadrinha, que bem prova o espírito de malícia de seu autor:

Adão foi feito de barro,
de barro bom e batuta,
mas esse Adhemar de Barros,
que barro filha da puta!

          Quadrinhas de sanitário público, eis algumas:

Amigos, esta latrina
é de todas diferente:
a gente vem cagar nela
e ela caga na gente.

Numa patente da cidade de Passo Fundo, num dos seus cafés mais centrais:

Tenho pavor dessa gente,
que de porco o gênio herda;
desse poeta indecente
que só se inspira na merda.


Causo II

Conta-se que num trem que vinha do Rio para São Paulo, um passageiro entregou, petulantemente, ao condutor o seu bilhete espetado na ponta de uma adaga, assim com um arzinho de provocação. O condutor puxou da cintura um revólver, picotou o bilhete com dois tiros, devolveu-o ao viajante e disse no mesmo tom:
- Eu também sou de Bagé.

(L.F. Veríssimo, narrado por Érico Veríssimo)


História do tempo da dita... dura

O seguinte diálogo teria cruzado os ares do Atlântico Sul, entre o um navio da Marinha Mercante e o pessoal de apoio em terra.
- Estamos à deriva e sem comando. A situação é crítica. Há muita turbulência. Não sabemos quanto tempo dará para aguentar a situação como está.
Ao que o pessoal em terra teria respondido:
- Nós também.

Descubra a mensagem

Um espião português enviou uma mensagem cifrada pouco antes de ser preso, em forma de manchete de jornal coladas numa folha.
Descubra a mensagem e por que o gajo foi preso:

DOI-CODI GOZA DE PRIVILÉGIOS.
PREFEITO ALCIDES COBERTO DE VAIAS.
NOVO RELÓGIO NO MERCADO ALFA ZERO.
SELERÇÃO DOOU TROFÉU.


Causo III

A mesa era farta e o visitante estava com muita fome. Mas uma hora depois ele já estava estourando e a dona da casa continuava insistindo.
- Coma mais um pouquinho de canjica, seu Dorival.
Dorival se recostou na cadeira esfregando a barriga com a manopla.
- Me desculpe, comadre, mas já estou estupecfato.

L.F. Veríssimo



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