sábado, 30 de agosto de 2014

Histórias de Paraquedistas IV


Dois poemas de paraquedistas


O Temor

3° Sargento Nicolau Radiuz*


*Pqdt 3127 do 1957/3 - MS 834

Data de nascimento 23/11/1937, faleceu em 5/04/1963, em acidente de paraquedas.

Nota: Estes versos foram encontrados entre os objetos deixados  pelo Sgt Nicolauem seu armário, após o acidente que o vitimou.

Roncam os motores e a aeronave estremece.
O medo em mim aparece,
mas eu o domino, heroicamente...

Tem demora, tremo um pouco,
pois sei que a coisa é de louco!

Tal aventura é para um audaz vigoroso...
Rezo um credo... Jamais fui religioso...
Mas hoje sou?! Que destino caprichoso!

Nas horas amargas peço a proteção divina,
pois no espaço a luz do sol me ilumina...

Depois que tudo ocorreu,
chegando ao solo não me lembro de Deus.
Sim, porque Ele sempre me protegeu.
Hoje, Ele ainda me atendeu...

Fatalidade

Sargento Jader do Monte Ferreira*


*Pqdt 4907 do 1958/5 - MS 1013 


(Poema feito em homenagem à morte do Sgt Nicolau)

Era um dia festivo
da Unidade-Padrão.
Pairava no olhar altivo
de quem olhava o avião.

Um homem lutava...
Ao mesmo tempo em que a sorte
ao seu velame rasgava
lhe causando assim a morte.

Um companheiro sem igual.
Destemido, lutador e forte.
Um vibrador sem rival,
sem medo da morte...

Assim morreu Nicolau...
Vi sua luta pela vida.
Vi seu reserva, subindo, enrolando.
Mais tarde vi a ferida
da fatalidade nossa alma enlutando.

Deus Nosso Pai Eterno,
Tu que és o Rei da Terra,
Que nos livra do inferno
e dos maus que a vida encerra,

Livra-nos, também, da imperfeição,
sustentando ou inflando nossos paraquedas
ou amolecendo o chão.



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