segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Fim dos enforcamentos em Porto Alegre



Praça da Harmonia


No dia 3 de novembro de 1857 ocorreram as últimas execuções em Porto Alegre, no Largo da Forca*, Praça da Harmonia. Foram levados ao patíbulo os réus Domingos Batista, Sargento Félix e o pardo Florentino. Os dois primeiros eram acusados do latrocínio do súdito português Manoel Tavares, e o terceiro assassinara o seu senhor Antônio Soares Leães. Sobre Domingos Batista, corria a história de que, às vésperas da execução, pessoa amiga de sua família mandara-lhe um grande pão-de-ló recheado com uma navalha. Ao encontrar a arma, Batista jogou-a ao chão, exclamando:

- Estão enganados! Não me degolo; prefiro morrer enforcado.


* Hoje Praça Brigadeiro Sampaio


Fonte: Datas Rio-Grandenses, de Coruja Filho (Sebastião Leão).



Praça da Harmonia vista do Guaíba


Delimitada pela Rua dos Andradas, Siqueira Campos, General Portinho e Primeira Perimetral (Avenida Presidente João Goulart), fazia parte da Praia do Arsenal, que abrigava estaleiros da construção naval. Conhecida, nos início da colonização da vila, como Largo da Forca, caracterizava-se como um lugar ermo, de mau aspecto, onde ocorriam as execuções de condenados à morte. Segundo Pereira Coruja, não teria senão, de um lado, o estaleiro de Francisco Batista dos Anjos, e do outro, “uma carreira de casinhas de capim e de telha com fundos para o rio”.

Em 1832 a construção de uma cadeia pública é iniciada e abandonada nos alicerces. Em 1856 a área foi aterrada, ajardinada e arborizada, recebendo a denominação de Praça do Arsenal. Um ano após os vereadores sugerem a construção de um Mercado. Em 1858, os estaleiros são removidos para o Caminho Novo e o presidente da Província Ângelo Muniz da Silva Ferraz planeja a urbanização da área, incluindo um cais junto ao Guaíba e um chafariz, pronto em 1859, com água puxada mediante bomba manual, movimentada pelos presos da cadeia, já em ruínas após dois anos. Com o final da Guerra do Paraguai, o local recebe o nome de Praça da Harmonia, comemorando a paz que deveria reinar entre os países da Bacia do Prata.

Em 1965 é promovida uma campanha para o restabelecimento da praça. Primeiro o estado e depois o exército retiram os estabelecimentos mantidos naquele espaço que é reurbanizado, já com novo nome - Praça Brigadeiro Sampaio, em homenagem ao patrono da infantaria brasileira.



Hoje, Praça Brigadeiro Sampaio

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