sexta-feira, 8 de agosto de 2014

O grande milagre da vida



Agradece antes de pedir.
Afinal, dás pouca importância ao sol e à chuva.
E não viverias sem um ou outro.
Não te escuto falar em Santa Bárbara, salvo quando troveja.
Muito menos imaginar a saudade,
Fatal quando te faltar o afeto ao qual não valorizas como devias.
De outra sorte, pensando bem, nem mesmo a vida eu te escuto agradecer.
Ao invés de viveres cada minuto como se fosse o último,
perdulário, passas pelo tempo, inconsciente de que o tempo está passando por ti.
Amanhã ou depois, se quiseres retroceder, será tarde.
O tempo não volta. Com ele a vida se vai.
Mas quem sou eu para ditar um juízo final?
Não é esse o meu desejo.
Embora eu te desculpe porque és humano,
custa-me entender como pode alguém ser insensível às maravilhas da natureza.
Insensível ou quase. No entanto, se algum dia vi, sou traído pela memória.
Não consigo fixar tua figura contemplando a flor que desabrocha.
Atenta ao cantar do pássaro. Extasiada ante o explodir da vida,
no ninho cuidadosamente feito ao alcance de teus olhos e de tuas mãos.
Responde. Não te apercebes ou nunca pensaste nisso?
Quando poluis a nascente, todo o caudal se torna impuro.
Quando for amanhã e sentires sede, vais te lembrar de agora?

Enriqueces com as árvores roubadas da floresta?
Esse dinheiro não te queima as mãos?
Ligas muito pouco à migalha que cai de tua mesa.
Eu disse pouco? Tu não ligas nada.
Estás convicto de ser eterna a fartura.
Esqueces, como todos nós,
que a vida não é sempre dia, nem é sempre noite.
Não te dás conta, ou não te queres dar, das multidões famintas,
pois não te dizes imensamente grato por não estares entre elas.
Sacodes os ombros no sinal de indiferença de que nada tem com o assunto.
E tens. E temos. E quanto!

Por ventura um dia, teus olhos contemplaram as estrelas do céu? Quantas são?
Não te disseram do nada que és perante a imensidão indevassável do universo?
Sabes, meu medo maior nasce da tua prepotência.
Perante teu próprio juízo, ora és imortal. Ora és perfeito.
Vais ao ponto máximo da onipotência,
de afirmares convicto que Deus te fez a sua imagem e semelhança.
Porém, atenta, a frase é tua. O conceito é teu.
Porque te pensas todo poderoso, afirmas ser Deus o que pensas, e tu o modelo.
Quem sabe paras um minuto e, ao invés de pedir, agradece?
Ainda tens tempo, pela misericórdia divina,
para agradecer a suprema graça recebida: estás vivo.
E se isso não te parecer o bastante, nada mais te saciará.
Continuarás pensando como centro do mundo, quando, na verdade,
o mundo continuará o mesmo sem a tua presença.
Quem sabe, por não seres digno como pensas do milagre dos milagres: a vida.


(Autor desconhecido)




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