terça-feira, 30 de setembro de 2014

A carta e o índio




Pequena teatralização para sala de aula

Personagens: (1) O Narrador (2) O amigo do fazendeiro (3) O índio


O narrador: Um fazendeiro incumbiu a um índio, ainda não de todo civilizado, que fosse levar dez belas frutas a um amigo. Sobre elas colocou uma carta.

No caminho, o índio teve vontade de comer uma das frutas. E não se conteve, comeu-a.

O amigo: - Você comeu uma das frutas?

O índio:   - Eu?

O amigo: - Sim. Está faltando uma.

O índio:   - Como é que o senhor sabe?

O amigo: - Ora essa! Pela carta.

O narrador: O índio não tinha a menor ideia de como a gente pode registra as ideias pela escrita, e desse modo transmiti-las aos outros. Por isso, olhou com admiração a folha de papel que o outro lhe exibiu e disse:

O índio:  - Ah! Isso conta o que a gente faz?... Eu não sabia!

O narrador: Uma semana depois, o índio foi de novo encarregado de levar um cesto de frutas ao mesmo homem. Levava também uma carta.

No meio do caminho, pousou a cesta no chão e, pegando na carta, disse:

O índio:  - Deixa estar, bicho mexeriqueiro, contador do que a gente faz! Agora, você não há de ver o vou fazer para contar aos outros!

O narrador: Dito isso, sentou-se sobre o envelope. Comeu três das frutas e atirou longe as cascas e os caroços. Então, levantou-se, pôs a carta no lugar e continuou no caminho.

O amigo: - Então... estavam boas as frutas?

O índio:   - Não sei não, senhor!

O amigo: - Como não sabe?... Pois comeu três delas?

O narrador: Vendo-se apanhado em falta, o índio muito sem jeito, confessou:

O índio:  - Comi, sim senhor. O senhor me desculpe... Mas... eu só queria saber com foi que o senhor descobriu...

O amigo: - É boa! Pela carta!

O índio:  - Não pode ser, não senhor! O senhor está brincando comigo, porque desta vez eu me sentei em cima dela e ela não viu nada...

O narrador: O homem sorriu daquela simplicidade, e o índio pôs-se a pensar no caso. Embora  não compreendendo tudo perfeitamente, começou a perceber que os sinais escritos deviam servir para transmitir um recado.



Francisco Viana – adaptação de Altino Martinez, 
em Leitura TeatralizadaSão Paulo, 
Ed Clássico Científica, pág. 67-8


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