segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Ensinando é que se aprende




Lendo uma prova de faculdade é que eu fiquei sabendo que Prestes tornou-se famoso por causa da coluna que escrevia em jornal, a legendária Coluna Prestes, que Bacon ficou conhecido por ter inventado o eggs and bacon, que o ovo de Colombo era um quisto enorme nas nádegas do navegador e que o sudário era uma espécie de sauna, utilizada pelos antigos romanos. Soube até mais, que os superlativos do mal eram: muito mal, bem doente, morto. Depois aprendi que Penélope era um tapete onde os gregos limpavam os pés antes de entrar. Minha surpresa aumentou quando li que a Bíblia era dividida em testículos – os famosos testículos da Bíblia – e que Alcorão era um grande dicionário de bebidas alcoólicas. Mais adiante, descobri que efemérides era um palavrão em latim e que circunavegação era um circo que fazia a volta ao mundo de barco.

Soube também que Luís XlV era chamado de Rei-Sol por ser muito musical e que as múmias eram os habitantes do antigo Egito que, quando morriam, viravam faraós. Descobri, depois, que cônego era um chapéu pontiagudo usado pela Guarda Suíça e que Idade Média era a idade em que os homens morriam antigamente. Soube, então, que apocalipse era um ritmo jamaicano que veio logo após o calipso e que eminência parda era um bispo crioulo. Fiquei pasmo ao aprender que latifúndio eram os derivados do leite e que a lei da gravidade era o único método anticoncepcional aprovado pelo Vaticano. Mas de tudo mesmo, o que mais me espantou foi saber qual era o salário dos professores.


(Jô Soares, em Jornal do Brasil)

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