segunda-feira, 1 de setembro de 2014

O fim de Hitler



A Alemanha Nazista, em 1945, estava sendo invadida por todos os lados. Berlim seria o principal alvo aliado, e, se fosse invadida, a guerra acabaria. Adolf Hitler concentrava-se nos seus mapas e realizava conferências. Ocorrendo-lhe que os russos talvez pudessem avançar por uma ramificação da linha do trem subterrâneo de Berlim que passava não muito longe da Chancelaria, ordenou ao seu Chefe do Estado- Maior que inundasse o túnel. O General Krebs protestou, dizendo que havia milhares de feridos abrigados no interior desse túnel. Mas de nada adiantara, Hitler ordenou a inundação.

Finalmente, no dia 28 de abril, um despacho de imprensa vindo de Estocolmo trouxe ao Führer a notícia que Heinrich Himmler, chefe da SS, estava negociando com o Conde Bernadotte a rendição do Reich aos aliados. Era demais. "Und jetzt der treue Heinrich!" (E agora até o leal Heinrich!), exclamou Hitler dolorosamente. Mas desta vez o acesso de cólera - o último de sua vida - durou pouco tempo. Caindo em si, tornou-se subitamente calmo e inteiriçado. A traição de Himmler destruía todas as possibilidades de resistência. Era o fim que se aproximava. Os dois últimos dias no Führerbunker foram os mais estranhos de todos. Às primeiras horas da manhã de 29 de abril, Hitler e Eva Braun casaram-se, numa cerimônia curta e simples, enquanto os projéteis russos penetravam na Chancelaria, quase sobre as suas cabeças, provocando uma chuva de estuque que se desprendia do teto do compartimento.

O Führer ditou então à secretária o seu "testamento político". O documento não encerra nada que ele não tivesse dito muitas vezes antes. Riscando Göring e Himmler dos quadros do Partido, designou o Almirante Karl Dönitz para substituí-lo. Mais tarde, leu ele no resumo das notícias que, como de costume, lhe trouxeram, a descrição minuciosa da morte de Mussolini ante um pelotão de fuzilamento dos partigiani, e a exibição pública do seu corpo, bem como do de Clara Petacci, pendurados ambos pelos pés numa praça de Milão. Hitler já havia expedido instruções no sentido de que o seu corpo e o de Eva fossem totalmente destruídos após o suicídio, mas àquela altura achou conveniente reiterá-las  "Completamente destruídos, estão compreendendo? Completamente!"

No decorrer da conferência de praxe com o seu Estado-Maior, realizada naquela tarde, o Führer recebeu tranquilamente a comunicação do avanço russo. A Chancelaria seria diretamente atacada o mais tardar até 1º de maio. Quando a noite ia adiantada, foram todos convidados por uma ordenança a comparecer à sala principal. O Führer desejava despedir-se. Uma vez reunidos, Hitler apertou a mão, em silêncio, a cada um dos presentes. "Tinha os olhos vidrados", disse uma testemunha, "e já parecia alheio ao que lhe ia em redor". Terminada a cerimônia, manifestou-se a anarquia na cantina da fortaleza. Alguém apanhou uma garrafa e, subindo a uma das mesas, gritou: "Bebamos aos mortos !". Um outro pôs a vitrola a funcionar. A dança, cada vez mais infrene e estrepitosa, só terminou quando o sol já ia alto. De vez em quando, vinha do Führerbunker uma ordem de silêncio, mas ninguém lhe dava importância. Às duas horas do dia 30 de abril, Hitler almoçou como de costume. Mostrava-se pálido e calado, mas cheio de apetite. Em seguida dirigiu-se, em companhia da esposa, ao corredor principal, onde Bormann, Goebels e os ajudantes-de-ordens mais graduados os esperavam. Após trocar silenciosos apertos de mão, voltaram para os seus aposentos. Fechada a porta com um banque, plantou-se diante dela um dos guardas pessoais do Führer. Segundos depois, ouviu-se um estampido. Estava extinto o Reich Milenar.


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