segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Mulher de vida fácil



Quenga, prostituta, meretriz, cafetina, 
gigolô, bordel, cabaré, casa da mãe Joana

*Por Ari Riboldi

Andorinha: Na gíria popular, mulher que pratica a prostituição ao longo das estradas, normalmente com caminhoneiros.

Bordel: Antro de devassidão; prostíbulo. Do francês antigo “bordel”, cabana, como forma diminutiva de “bord”, casa de tábuas, mais tarde com o sentido de prostíbulo, como no italiano “bordello”.

Cabaré: Estabelecimento comercial onde geralmente são apresentados números de músicas, danças e variedades e os clientes podem beber, dançar e consumir refeições. Termo vindo do francês “cabaret”, com o sentido de loja modesta de bebidas, na qual também se podem comprar refeições.

Cafetina: Cafetina e gigolô definem bem uma prática, mas são palavras politicamente inadequadas, dependendo, especialmente, da clientela envolvida e do local. Em alguns locais mais elitizados, por exemplo, cafetina da corte recebe o nome de promotora de eventos. A prostituta responde pelo nome de recepcionista. O resto que possa acontecer, durante ou depois do suposto evento, mesmo que seja num andar acima ou abaixo, é de responsabilidade exclusiva das partes. Até mesmo o turismo sexual, tão deplorável e tão condenado, em alguns lugares passa sob o disfarce de turismo ecológico, com lindas praias e atrativas ondas marítimas. Cafetina, o mesmo que caftina, vem do francês “caftan”, mulher que vive da exploração da prostituição. Aliás, a prostituta é a parte mais fraca nessa história e é, ironicamente, conhecida também como “mulher de vida fácil”.  Outros termos vinculados ao negócio: alcoviteira, cafetão, cafiola, chupa-caldo, rufina, rufião, rúfio.

Gigolô: Homem que vive às custas de meretriz ou que é sustentado por sua amante; pessoa que vive às expensas de outra. Do francês “”gigolo”, amante de “gigolette”. A palavra “gigolette” designa moça de rua.

Mariposa: Meretriz, prostituta. O nome deve-se ao fato de que esses insetos têm o hábito de voar no crepúsculo e durante a noite, período em que, normalmente, as prostitutas também exercem a sua atividade. Meretriz mulher que pratica o meretrício, ou seja, que vende o corpo como prostituta. Do latim “meretrix”, “mereticis”, cortesã, mulher pública.

Quenga: Vasilha feita com a metade do endocarpo de um coco; o conteúdo dela, também chamado quengo. Na linguagem chula, mulher que exerce a prostituição; meretriz. De “kienga”, tacho, termo oriundo do quimbundo, língua da família banta falada na Angola.

Prostituta: Mulher que exerce a prostituição. Prostituir-se é entregar-se à cópula sexual por dinheiro, ato que pode ser praticado por homem ou mulher. Do verbo latino “prostituere”, formado por “pro”, diante, na frente de, e “statuere”, pôr, colocar, ou seja, apresentar à vista de, colocar à venda, expor aos olhos.

Alguns sinônimos de prostituta


Alcoureira, andorinha, bagaço, bandida, barca, besta, bisca, biscaia, biscate, bofe, boi, bruaca, bucho, cadela, cantoneira, china, cocote, cortesã, couro, croia, croque, cuia, dadeira, dama, dama da noite, decaída, égua, fêmea, frete, frincha,  galdrapinha, jereba, loba, madama, madame, marafa, marafaia, mariposa, , messalina, mundana, pécora, perdida, perua, piranha, piranhuda, pistoleira, prostituta, puta, quenga, rameira,  rascoeira, reboque, transviada, vadia, vulgivaga, zabaneira, zorra.

Locuções adjetivas com o mesmo sentido

Mulher à-toa, mulher de comédia, mulher de rótula, mulher da rua, mulher da vida, mulher da zona, mulher da má nota, mulher da ponta de rua,  mulher de vida fácil, mulher do fado, mulher do fandango, mulher do mundo, mulher do pala aberto, mulher errada, mulher perdida, mulher pública, mulher vadia.

Expressões populares

Casa da mãe Joana: Local onde todos mandam e cada um faz o que quer. A origem da expressão é controversa. Segundo o folclorista Luís da Câmara Cascudo, trata-se de um antropônimo de Joana (1326-1382), rainha de Nápoles e condessa de Provença, que, tendo-se refugiado em Avignon, em 1346, regulamentou o funcionamento dos bordéis da cidade. Uma de suas resoluções foi a de estabelecer que os bordéis deveriam ter uma porta pela qual todos entrariam.  A partir daquele momento,  cada bordel passou a ser conhecido com o nome de “paço da mãe Joana”, no sentido de que era uma casa que estava com a porta aberta para qualquer um.  Ainda de acordo com Câmara Cascudo, “no Brasil, paço não é um vocábulo popular, tornou-se casa e, às vezes, com nome mais repugnante e feio”. Esse nome, referido pelo folclorista como feio, possui somente uma sílaba e começa pela letra “c” de casa.

Casa de tolerância: Expressão eufemística para denominar estabelecimento onde se pratica a prostituição com o funcionamento regulamentado pelas autoridades.

Ditado popular

“A casa é das mulheres e a rua é dos homens.”

Como qualquer ditado, esse também traduz o senso comum. É o reflexo de um tempo já superado em que se verifica qual era o papel a exercido pela mulher: cuidar da casa, com todos os afazeres - lavar, cozinhar, cuidar dos filhos, etc.

O ditado reproduz os costumes e a cultura de determinado período, com a sabedoria e os preconceitos de cada época. Citei-o com o intuito de demonstrar como era vista a figura feminina, sempre sob a ótica do homem, como se a mulher fosse um objeto submisso aos caprichos do macho. Tempos que foram superados em grande parte, embora ainda haja etapas a ser vencidas para o estabelecimento, de direito e de fato, das condições de igualdade entre homem e mulher.



*O Professor Ari Riboldi atua na Prefeitura de Porto Alegre desde 1987. Pesquisador das origens de expressões, ditados populares e demais termos da Língua Portuguesa, o escritor serafinense, natural do Distrito de Silva Jardim, já lançou cinco livros, entre eles O Bode Expiatório, o qual acaba de ser lançado em seu terceiro volume. A obra traz a explicação do uso de nomes de animais, partes do corpo e vegetais em expressões do cotidiano.


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