domingo, 20 de setembro de 2015

A História do Profeta Gentileza




Decidi reservar este espaço para relatar a vida de José Datrino, mais conhecido como Profeta Gentileza.

Gentileza nasceu em 11/04/1917 no bairro de Cafelândia (São Paulo) onde vivia com seus pais e onze irmãos. Durante sua infância era “obrigado” a trabalhas nas terras locais cuidando dos animais e em determinados momentos havia a necessidade de trabalhar puxando carroças vendendo lenha para ajudar sua família. O campo ensinou a José Datrino a amansar burros para o transporte de carga. Tempos depois, como profeta Gentileza, se dizia “amansador dos burros homens da cidade que não tinham esclarecimento”.

Quando José completou 13 anos começou a ter algumas premonições sobre suas missões na Terra e isso acabou gerando certo desconforto em sua família que começou a desconfiar que ele estava tendo algum problema mental.

Em 1961, exatamente no dia 17 de Dezembro, ocorreu uma verdadeira tragédia em Niterói no Circo “Gran Circus Norte-Americano” que infelizmente gerou a morte de 500 pessoas causada por um incêndio. Essa foi uma das maiores fatalidades no Brasil e teve repercussão em todo o mundo.

Dois dias antes do Natal de 1961 (6 dias após o incêndio) José Datrino acordou durante a madrugada alegando ter ouvido “vozes astrais” que pediam para que ele abandonasse o mundo material e se dedicasse exclusivamente ao mundo espiritual. A partir desse dia o Profeta pegou seu caminhão e se dirigiu ao local do incêndio, plantou jardim e horta  sobre as cinzas do circo que um dia levou tantas alegrias as pessoas. Lá permaneceu durante 4 anos de sua vida. José durante esse período levou conforto e carinho a muitas famílias das vítimas do incêndio. Daquele dia em diante passou a ser chamado de “Profeta Gentileza”.

Depois de deixar o local, “Gentileza” começou sua jornada pelas ruas da cidade do Rio de Janeiro na década de 1970. Fazia suas pregações em trens, ônibus e praças públicas, sempre levando palavras de conforto e bondade as pessoas. Gentileza pregava também o respeito ao próximo e pela natureza. Alguns o chamavam de louco e ele sempre respondia: – “Sou maluco para te amar e louco para te salvar”.

A partir da década de 1980 começou a escrever diversas frases e poemas em 56 pilastras do viaduto do Caju, que vai do Cemitério do Caju até a Rodoviária Novo Rio. Ali deixou sua marca eterna para que todos pudessem ler.

Gentileza faleceu em 28 de maio de 1996 deixando seu legado de bondade e amor, dedicando sua vida ao próximo e a Deus.


(Do blog Mente Aberta)




 Mestre Nilo, sempre, nas paradas de Sete de Setembro, lá estava o Profeta Gentileza com suas flores, cata ventos e Bandeira Nacional. 

(Ly Adorno).

Caro Nilo, mais uma vez venho contar mais uma historinha. Em 1993, estava eu na Parada de 7 de Setembro, à altura da Cinelândia, em frente à Biblioteca Nacional, aguardando, à vontade em forma, quando essa figura passou do outro lado da calçada. Todos mexeram com ele, chamando-o de maluco, rindo da cara dele. Eu, por não conhecê-lo, também achava que ele era doido. Depois de algum tempo, é que tomei conhecimento de sua história. Ele era empresário do ramo de transportes e, realmente, largou tudo após o incêndio do Circo. Hoje, o local é ocupado pela Policlínica Militar de Niterói. 

(Um abraço, Sérgio de Oliveira Mattos).


Gentileza

Marisa Monte

Já dizia o Profeta:
Apagaram tudo,

Pintaram tudo de cinza.
A palavra no muro
Ficou coberta de tinta.
Apagaram tudo,

Pintaram tudo de cinza.
Só ficou no muro
Tristeza e tinta fresca.
Nós, que passamos apressados

Pelas ruas da cidade,
Merecemos ler as letras
E as palavras de Gentileza.
Por isso eu pergunto

A você no mundo:
Se é mais inteligente
O livro ou a sabedoria?
O mundo é uma escola,
A vida é o circo,
                               Amor palavra que liberta.


Abaixo, seus textos num viaduto da cidade.



Um comentário:

  1. Nilo, tuas informações estão muito completas. E a música cantada pela Marisa Monte é de fácil entendimento após ler a história que inseriste no teu blog.

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