terça-feira, 8 de setembro de 2015

Canção do Expedicionário


FEB em Monte Castelo


Datada de 7 ou 8 de março de 1944, e musicada por Spártaco Rossi, esta “canção” nasceu de um concurso organizado pelo Diário da Noite e Emissoras Associadas, de São Paulo. Guilherme definiu este trabalho do seguinte modo: “Apenas uma rapsódia. Mapa lírico do Brasil: fragmentos de canções do povo, com que o “pracinha” - o novo, desconhecido soldado dos Exércitos Aliados – havia de apresentar-se a gentes outras, em terras de outrem...”

I

Você sabe de onde eu venho?
Venho do morro, do engenho,
das selvas, dos cafezais,
da boa terra do coco,
da choupa onde um é pouco,
dois é bom, três é demais.

Venho das praias sedosas,
das montanhas alterosas,
do pampa, do seringal,
das margens crespas dos rios,
dos verdes mares bravios,
de minha terra natal.

Estribilho

Por mais terras que eu percorra,
não permita Deus que eu morra
sem que eu volte para lá;
sem que leve por divisa
Esse “V“ que simboliza
a Vitória que virá.

Nossa Vitória final
que é a mira do meu fuzil,
a ração do meu bornal,
a água do meu cantil,
as asas do meu ideal,
a glória do meu Brasil!

II

Eu venho da minha terra,
da casa branca da serra
e do luar do sertão;
venho da minha Maria
cujo nome principia
na palma da minha mão.

Braços mornos de Moema,
lábios de mel de Iracema
estendidos para mim!
Ó minha terra querida
da Senhora Aparecida
e do Senhor do Bonfim!

III

Você sabe de onde eu venho?
É de uma pátria que eu tenho
no bojo do meu violão;
que de viver em meu peito
foi até tomando o jeito
de um enorme coração.

Deixei lá atrás meu terreiro,
meu limão, meu limoeiro,
meu pé de jacarandá,
minha casa pequenina
lá no alto da colina
onde canta o sabiá.

IV

Venho de além desse monte
que ainda azula no horizonte,
onde o nosso amor nasceu;
do rancho que tinha ao lado
um coqueiro que, coitado,
de saudade já morreu.

Venho do verde mais belo,
do mais dourado amarelo,
do azul mais cheio de luz,
cheio de estrelas prateadas
que se ajoelham, deslumbradas,
fazendo o Sinal da Cruz.


Guilherme de Almeida


(Nasceu em Campinas, SP, em 24.07.1890, 
e morreu em são Paulo no dia 11.07.1969)

Era membro da Academia Paulista de Letras; do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo; do Seminário de Estudos Galegos, de Santiago de Compostela; do Instituto de Coimbra e da Academia Brasileira de Letras.

Spartaco Rossi

(Nasceu em São Paulo, 1911, 
e morreu em São Paulo em 27 de dezembro de 1983,)



Biografia

Maestro. Estudou na Escola Americana e no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Estudou flauta com o professor Alfredo Mignone, e composição com o professor Savino de Benedictis. Foi fundador da orquestra do Municipal de São Paulo.

Dados Artísticos

Em São Paulo atuou nas Rádios Educadora, São Paulo, Excelsior, Record e Tupi, e no Rio de Janeiro nas Rádios Clube, Tupi e Ipanema. Atuou ainda nas Rádios de Hamburger e Berlim na Alemanha. Em 1930, a canção "Sertaneja", com Vicente de Lima e Alencar Horta, foi gravada na Victor pelo Trio Ortega. Em 1931, fez uma viagem à Alemanha, dirigindo o Quarteto Spartaco Rossi do qual fazia parte o (...)

Obras

Canção do expedicionário (c/ Guilherme de Almeida)
Serenata (c/ Armando Mota)
Sertaneja (c/ Vicente de Lima e Alencar Horta)


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