sábado, 5 de setembro de 2015

Coisas de Ari Barroso



Bancos da praia - O Globo

Melhor que alcovas, onde, egoisticamente, o amor se oculta. Bancos da praia - feira de gestos lúbricos ou mercado de atitudes loucas! Bancos da praia - tribuna de beijos e exposição de esfregações! Bancos da praia - paraíso dos amantes, sepultura da polícia!

Banhos de mar

Comecei com eles. Armo a barraca rubro-negra (Linda!) ali no Posto Zero, ao lado do Mariozinho de Oliveira. Companheiros: ele, o comandante Niemeyer (Nini) e o Játobá. O Mariozinho tem um apito. Duas sopradas - gelo, três, - gim tônica, quatro - alguns frios gelados. Quem traz é o seu empregado que fica no último andar de um arranha-céu. De meio dia às cinco, despachamos ali mesmo. Às vezes aparece o Catramby (quando não está gripado).

Aviso importante

Quando estou matando o tempo num bar, só vou ao piano quando quero. Não estou ali para divertir ninguém. De forma que, por favor, não insistam para que eu toque. É horrível!

Embevecimento

Resido quase no cocuruto de uma colina, ali no Leme. Não raro, quando chego em casa, por volta da madrugada, ainda consigo ouvir a cantoria mística de um culto afro-brasileiro que há lá mais pra cima do morro. Então, fico escutando aquilo, embevecido, durante muito tempo. Depois vou dormir como um santo...

Vou todo

Amanhã irei a uma gafieira. Preciso ir. Preciso ver aqueles pares sambando. O "mestre-sala" manobrando. O trombone chorando. A cerveja entornando. Os cabelos esticados brilhando. Quando, periodicamente, dava um pulo no "Elite", era mais compositor e compreendia melhor o sentido exato do "samba com telecoteco". A música de boate convida à melancolia. A música de gafieira espanta as mágoas e é mais Brasil! Vou lá. Mas, vou todo!... Depois te conto.

Copacabana ensolarada

O verão está chegando. As montanhas amanhecem lavadinhas de sereno. O céu anda completamente bonito. O horizonte afastou-se para dar mais oceano à gente. Copacabana entregou-se de corpo e alma ao velho Sol. Os "brotos" estão brotando de todos os lados. Os "golfinhos" também. Quem mais se alegra com a chegada do verão são os donos dos bares e restaurantes, porque tiram o ventre da miséria. Bem entendido: os da orla da praia.

Os dez maiores sambas, na opinião de Ary Barroso

          - Gosto que me enrosco - de Sinhô
          - Amélia - de Ataulfo Alves e Mário Lago
          - Feitiço da Vila - de Noel Rosa e Vadico
          - Favela - de Heckel Tavares e Joracy Camargo
          - Iaiá de Ioiô - de Luiz Peixoto e Henrique Vogeler
          - Nervos de Aço - de Lupicínio Rodrigues
          - Agora é Cinza - de Bidê e Marçal
          - Se você jurar - de Nilton Bastos, Ismael Silva e Chico Alves
          - A fonte secou - de Monsueto
          - Deixa esta mulher chorar - de Brancura


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