sábado, 26 de setembro de 2015

O Zé Pereira



E viva o Zé Pereira!
Pois que a ninguém faz mal
E viva a bebedeira
Nos dias de carnaval!
Zim, balala! Zim, balala!
E viva o carnaval!

Quem não conhece esse bordão carnavalesco? Pois ele foi a senha para o nascimento do Carnaval de rua no Brasil, há quase 150 anos! Inspirado em uma canção francesa (Les Pompiers de Nanterre), o refrão do Zé Pereira fez história.

“Zé Pereira” era o sapateiro português José Nogueira de Azevedo Paredes, que em um Carnaval, por volta de 1850, reuniu amigos e agitou as ruas do Rio de Janeiro ao som de bumbos, zabumbas e tambores. Era o que faltava para a popularização definitiva dos festejos na cidade, e o início de uma metamorfose que transformaria não apenas o carnaval, mas toda a música brasileira.

No ano seguinte já havia vários imitadores do Zé Pereira. As primeiras sociedades carnavalescas também abriram as portas para o novo costume. O Zé Pereira viraria até espetáculo teatral (“Zé Pereira Carnavalesco”), encenado em 1869 pelo ator cômico Francisco Correia Vasques (1839-1892).

Eis o trecho do livro As Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Segunda Edição - Lumiar - 1996) do jornalista e pesquisador Sérgio Cabral em que ele fala dos zé-pereira:

“Brincava-se o carnaval, no século XIX, também como zé-pereira, o nome adotado para os foliões que percorriam as ruas da cidade dando pancadas em enormes tambores e produzindo decibéis em níveis extremamente elevados para os padrões da época. O zé-pereira poderia ser representado por um folião solitário e também por grupos de carnavalescos, todos com os seus tambores, desfilando pelas ruas e visitando as redações dos jornais, como era o hábito dos foliões que se julgavam merecedores de aparecer na imprensa. O historiador Vieira da Fazenda, autor de Antiqualhas e memórias do Rio de Janeiro, foi o único a mencionar as origens do zé-pereira. Para ele, o primeiro deles foi um cidadão português chamado José Nogueira de Azevedo Paredes, sobre o qual traça um perfil minucioso. Só não informou a razão pela qual a folia criada por ele ganhou o nome de zé-pereira e não de zé-nogueira.”



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