domingo, 20 de setembro de 2015

Pilcha Gaúcha

Revista Psiu!

A vestimenta que reproduz com elegância a sobriedade da nossa indumentária histórica, conforme os ditames e as diretrizes traçadas pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho, é considerada “Pilcha Gaúcha”.
           
A pilcha, vestimenta histórica do gaúcho, foi transformada em traje de honra e de uso preferencial no Rio Grande do Sul, a partir de uma lei estadual de 10 de janeiro de 1989.

O Movimento determina como traje masculino oficial do peão (à época Farroupilha), o conjunto de chiripá, camisa, colete ou jaleco, jaqueta, ceroulas, chapéu, guaiaca, bota, faixa, esporas e lenço. O traje histórico feminino, confeccionado com tecidos estampados e/ou lisos, é composto por saia e blusa ou saia e casaquinho ou vestido, saia de armação, bombachinha, meias e sapatos. A maquiagem da prenda é discreta, enquanto os cabelos devem estar semipresos ou em trança ou em tranças, enfeitados com flores naturais ou artificiais, sem brilhos.

Traje de Peão



Chiripá farroupilha – Pano inteiro passado por entre as pernas, atado na cintura, primeiro de trás para frente e após, de frente para trás. Tecido de lã ou então liso em tear ou sem listras somente nas laterais (barrados). Ambos admitem franjas. Comprimento tomado pelo fundilho, na altura da metade da canela, cujo comprimento não deverá passar da altura do joelho para facilitar o movimento.

Camisa – Tecido algodão ou linho. Padrão liso, com gola ampla ou de padre (corte da época) com mangas longas, sem cava e punho estreito amarrado com cadarços ou ajustado com botão, fechada na frente, estando aberta até a altura do peito, fechada por cadarços ou botões e sem rendas.

Colete ou jaleco – Tecido encorpado (grossinho, ou ainda, de lãzinha) com uma só ordem de botões, sem ou com gola pequena, de um só tecido e cor (sóbria), abotoado na frente com uma única carreira de botões, sem fivela de ajuste.

Jaqueta – Modelo com botões metálicos, sem correntes, de tecido encorpado ou ainda de lã, na altura da cintura.

Ceroulas – Algodão, com ou sem macramê, sem franjas se usadas por dentro da bota, com franjas se usadas por fora da bota, cujo comprimento não deverá passar a altura do início do calcanhar, para não pisar na franja.

Detalhes – Lenço preto só nos casos de luto. Jamais em festas e bailes. Lenço xadrez ou branco e preto também é luto (aliviado). Os nós mais conhecidos são: nó de correr, nó de namorado, nó de rodeio, nó cabeça de boi, nó de dois galhos, rapadura.

Chapéu – Chapéu de feltro, copa alta arredondada e aba curta com barbicacho de seda e sem metal (usado com o lenço vermelho, ou na cabeça ou no pescoço, com nó republicano). Chapéu de feltro copa baixa e aba larga com barbicacho de seda e sem metal (usado com lenço no pescoço, nas cores branco, bege ou ainda vermelho, com outro nó que não o “republicano”).

Guaiaca – Lisa, com uma ou duas fivelas, bolsos em número de um a três.

Bota – Modelo tradicional. Couro liso modelo tradicional, cor preta, marrom escuro ou marrom avermelhado.

Faixa – De cor vermelha, preta ou bege-cru, de lã, com 10 a 12 cm de largura, sem bordado.

Esporas – Seu uso é facultativo.

Lenço – Usado na cabeça ou no pescoço, nas seguintes formas:

Se usado na cabeça, vai obrigatoriamente representar o farrapo: de seda, na cor vermelha, de tamanho grande, cobrindo os ombros, com o nó republicano no peito (atado no próprio lenço da cabeça, com o nó republicano, sem outro lenço no pescoço).

Se usado no pescoço: quando representar o farrapo. De seda, na cor vermelha, com nó republicano de simbolismo político, composto de dois topes e uma “rapadura” ao centro – vermelho de 1835.

Traje da Prenda



Saia e blusa ou saia e casaquinho – O traje feminino deve representar a mesma época e classe sociais do homem. Saia barra no peito do pé, godê ou em panos. Cor mais escura que a blusa.

Blusa de mangas longas e justas aos ombros, com babadinhos (sem exageros) nos punhos, decote pequeno em “v”, sem expor os ombros e os seios.

Casaquinho (usar com a camisa por baixo) – as mangas longas e justas aos ombros, abotoado na frente, com gola (sem exageros), com ou sem debrum. Tecido lisos e mais encorpados, sem usar enfeites dourados, prateados, pinturas a óleo e demais tintas e purpurinas, bordados, tendo o cuidado de escolher cores harmoniosas e lisas, esquecendo as cores berrantes, cítricas. Obs: não usar combinações com as cores da bandeira do Rio Grande do Sul ou do Brasil.

Vestido – Inteiro e cintura baixa, com barra da saia no peito do pé; corte godê ou em panos. Mangas longas, justas aos ombros, punhos com babadinhos ou renda nos punhos. Decote pequeno em “v”, sem expor os ombros e seios. Enfeites de rendas, sem exageros. Tecidos estampados, mais pesados, como brocado, tafetá, gorgorão. No trato diário eram usadas mesclas de lã ou linho. Cores rosa, azul e verde, aconselhando-se cores harmoniosas, evitando-se cores e contrastes chocantes, cítricas, e similares. Não usar preto nem nos detalhes, nem combinações com a cores das bandeiras do Rio Grande do Sul e do Brasil. Não são permitidos os tecidos transparentes, slinck, lurex e similares, rendão, brilhosos ou fosforescentes, enfeites como bordados, dourados, prateados e pintura a óleo e demais tintas purpurinas.

Saia de armação – Leve e discreta, na cor branca. Se tiver babados, estes devem concentrar-se no rodado da saia, evitando-se excesso de armação.

Bombachinhas – De cor branca, de tecido leve com enfeites de rendas discretas, abaixo do joelho, cujo comprimento deverá ser sempre mais curto que o vestido.

Meias e sapatos – As meias devem ser de cor branca ou bege e longas o suficiente para não permitir a nudez das pernas. Os sapatos, nas cores preto, marrom ou bege ou botinhas pretas ou marrom escuro, com cadarços da cor da botinha.



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