domingo, 20 de setembro de 2015

Revivendo a querência



“Preservar as tradições gaúchas é reavivar no peito rio-grandense a chama do amor ao pago, é reacender em cada coração do gaúcho aquele mesmo fogo de galpão em torno do qual se expande a alma do pampa, altaneira e nobre, nos seus anseios de liberdade.” Dessa forma, Paixão Côrtes inicia um texto intitulado Revivendo a Querência, que escreveu para a Revista do Globo em setembro de 1953. Alguns poucos anos antes, em 1947, havia germinado, no Colégio Júlio de Castilhos, com a criação do Departamento de Tradições Gaúchas, a semente do que viria a ser o CTG 35, fundado em abril de 1948, e, quem sabe, as origens do próprio Movimento de Tradições Gaúchas.

Paixão e mais alguns abnegados defensores da cultura nativa do Rio Grande do Sul tentavam, naquele início da década de 1950, com o esforço das suas pesquisas, esclarecer e valorizar os mais diversos aspectos da vida do gaúcho em diversas épocas. Como ilustração da reportagem, foram reunidos, para uma fotografia, dois gaúchos com diferentes indumentárias: um seria o gaúcho “atual”. O outro, um gaúcho “antigo”. Uma longa legenda identificava as diferenças. Antigamente, a “bota de garrão”, rústica. Depois, a bota elaborada de cano sanfonado.

Antes, o chiripá, pano retangular amarrado à cintura pela guaiaca (ou uma faixa), usado sobre as ceroulas de crivos que caíam sobre as botas. Mais tarde, as bombachas, calças bastante largas, apertadas nos tornozelos, com uma faixa na costura lateral com pregueados (favos) e botões, feitas com 5 ou 6 metros de fazenda “não enfestada”. Enfim, naquela época era preciso mostrar ao gaúcho como o gaúcho era.

Talvez seja conveniente não incluir um gaúcho contemporâneo nessa foto comparativa. É provável que, agora, em vez de um bom chapéu de feltro, ele esteja usando um boné, vagabundo, de alguma marca de fertilizantes, e, ao invés de botas, chinelos de dedo. As calças, certamente, serão jeans. Um passado glorioso justifica o orgulho. E hoje? Somos escravos vestidos de nobres, como no Carnaval? Ou ainda corre sangue farrapo em nossas veias?

O futuro dirá.

(Do Almanaque Gaúcho de Zero Hora)

Fototeste gaudério


1 – O gaúcho está segurando um: arreador, rabo de tatu ou rebenque?


2 – A tropilha que aparece na foto é de: tordilhos, alazões, zainos, malacaras ou tobianos?


3 – Esta espora é uma: nazarena, pua ou chilena?


4 – Este pau de fogo era conhecido por: monte-cristo, trabuco ou boca de sino?


5 – Estes oito paus que se erguem do assoalho da carreta chamam-se: cambão, muchacho, fueiro ou cambota?


6 – Esta árvore é: uma figueira do mato, um umbu ou uma corticeira?

Ontem, nos referimos a uma reportagem de Paixão Côrtes para a Revista do Globo, de setembro de 1953, em que ele valorizava as coisas do pampa e defendia o culto à tradição. Nessa mesma matéria, a revista publicou um fototeste para que os leitores pudessem avaliar seus conhecimentos e para ver se eles estavam sintonizados com os termos e objetos do gaúcho. Parte desse teste, republicamos agora. Veja como você se sai. As respostas estão no pé da página.

Respostas:

1 – rebenque 
2 – tobianos
3 – nazarena
4 – boca de sino
5 – fueiro
6 – corticeira

(Do Almanaque Gaúcho de Zero Hora)


Laçador por Xico


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