segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Expressões populares

De onde surgiu a expressão 'fazer uma vaquinha'?


Em 1923, a torcida do Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, resolveu estimular os atletas de seu time a se dedicarem ao jogo com maior empenho e começou a arrecadar dinheiro para dar como prêmio aos atletas em valores proporcionais aos resultados alcançados pelo time em campo.

O valor tinha inspiração nos números do jogo do bicho: 5, número do cachorro, equivalia a 10 mil réis - prêmio por um simples empate; 10, número do coelho, equivalia a 10 mil réis - prêmio por uma vitória comum; 25, número da vaca, correspondia a 25 mil réis - premiação dada somente em grandes vitórias, contra os adversários mais fortes ou em partidas decisivas.

O prêmio máximo do jogo do bicho era vinte e cinco mil réis, e isso representava a vaca, surgiu o termo popular “fazer uma vaquinha”, ou seja, tentar reunir o máximo de dinheiro possível para um fim específico.


A origem de 22 expressões populares


01. Olha o passarinho!

Hoje, tirar uma foto é muito fácil e leva apenas um milésimo de segundo, mas não costumava ser assim. Há mais de um século, quando essa arte surgiu, os equipamentos levavam alguns minutos para fixar a imagem nos filmes. Assim, as pessoas precisavam ficar paradas durante esse tempo e a dificuldade era ainda maior quando havia crianças na pose. Para chamar a atenção delas e mantê-las olhando em direção à câmera, os fotógrafos colocavam uma gaiola com passarinhos ao lado da máquina e diziam: “Olha o passarinho!”. A expressão se popularizou e ainda é usada para chamar a atenção das pessoas na hora de tirar a foto.

02. A vaca foi pro brejo

Em épocas de estiagem, as vacas costumam sair em busca de água em áreas pantanosas e, muitas vezes, acabam ficando presas no lodo. Atoladas, elas começam a afundar, só sendo possível tirá-las desses locais com ajuda humana. Para os criadores de gado, a vaca ir para o brejo significa prejuízo certo, pois a maior parte dos animais que fazem esse percurso acaba morrendo afogada. Assim, quando as coisas não dão certo, popularizou-se a expressão “a vaca foi pro brejo”.

03. Afogar o ganso

Há duas explicações plausíveis para a origem dessa expressão. A primeira diz que na China, os homens tinham o costume de manter relações sexuais com gansos e antes da ejaculação, afogavam a ave para que ela tivesse mais contrações. Já a segunda versão, criada por Mário Prata no livro “Mas será o Benedito?”, diz que a expressão foi um eufemismo usado por Dom Pedro I em suas cartas para a Marquesa de Santos referindo-se às relações sexuais mantidas pelos dois, driblando a censura imposta pelo pai do príncipe para essas correspondências.

04. Lavar a égua

Muito antes da tradição cunhada nas corridas da Fórmula 1, quando uma égua vencia um páreo, o bichinho era saudado com um banho de espumante (seu semelhante do sexo masculino não recebia o mesmo tratamento). Essa prática dos donos dos equinos vencedores simbolizava que eles haviam ganhado uma boa grana de premiação e foi assim que a expressão “lavar a égua” popularizou-se como sinônimo de ganhar.

05. Lágrimas de crocodilo

Se você achava que a expressão nasceu porque crocodilos não produzem lágrimas, sinto informar que você estava errado. Esses animais realmente choram, só que as lágrimas são o resultado de um processo biológico e não têm nada a ver com um possível sentimento que o animal estaria sentindo naquele momento. Quando os crocodilos ficam muito tempo fora da água, suas glândulas produzem uma secreção para lubrificar seus olhos. Uma outra situação em que esses répteis ‘choram’ é quando, no ato de mastigar sua presa, o animal pressiona as glândulas lacrimais. Com o passar dos anos, a sabedoria popular consagrou a expressão “lágrimas de crocodilo” como sinônimo de todo choro que parece fingido ou hipócrita.

06. Fazer uma vaquinha

E a vaca está aqui de novo! Geralmente, quando um clube de futebol vence uma partida importante, seus jogadores recebem uma bonificação em dinheiro chamada de “bicho”. Nos anos 20, a torcida do Vasco da Gama resolveu estimular os integrantes do time com essas quantias. Para isso, estabeleceu um incentivo monetário baseado nos números do jogo do bicho. O número cinco, do cachorro, representava 5 mil reis de premiação por um empate. O dez, do coelho, 10 mil reis por uma vitória qualquer. E o 25, da vaca, 25 mil reis pela vitória em uma partida decisiva. Assim, a arrecadação do “bicho” dos jogadores pelos torcedores ficou conhecida como “fazer uma vaquinha”.

07. Dar com os burros na água

Credita-se a expressão à moral de um conto sobre um fato comum na época colonial do Brasil: o uso dos burros no transporte de carga. O conto em questão narra a disputa de dois tropeiros para ver quem chegava primeiro a um certo destino. Um deles usava o animal para transportar sal, enquanto o outro transportava algodão. Diz a anedota que no meio do caminho havia um rio e, ao tentarem atravessá-lo, ambos perderam as cargas (o sal dissolveu-se e o algodão encharcou-se) e não conseguiram concluir a missão. Por isso é que, quando alguém é mal sucedido em algo, usa-se a expressão “dar com os burros n água”.

08. A cavalo dado não se olham os dentes

 Sua mãe provavelmente ensinou a nunca desdenhar daquilo que você recebe de presente. Se um dia você ganhar um cavalo, por exemplo, nunca olhe a arcada dentária do animal na frente de quem te deu. Isso porque os dentes do cavalo não nascem de uma vez, sendo que os últimos só surgem no quarto ou quinto ano de vida do animal. Assim, olhar os dentes dele significa verificar qual a idade do equino, o que pode ser bastante deselegante. Na satírica visão de Mário Prata, no livro “Mas será o Benedito?”, a expressão popular no entanto tem raiz histórica na avareza da família real portuguesa. Ao chegar ao Brasil, Dom João VI teria usado cavalos em péssimo estado como moeda de troca. E a quem reclamava ele usava a expressão “a cavalo dado não se olham os dentes”.

09. Pagar o pato

Há duas explicações plausíveis para a expressão, que significa que alguém está arcando com as consequências da ação de outra pessoa. Uma delas está em “Facetiae”, do escritor italiano Giovanni Bracciolini. Numa das historinhas narradas, uma mulher casada interessada em comprar um pato de um vendedor propõe pagar pelo animal com favores sexuais. No entanto, enquanto ela e o vendedor discutem se a quantidade de sexo feita já era suficiente para quitar a dívida, chega o marido, que ludibriado pela esposa, acaba pagando o pato em dinheiro. Outra versão para a origem da expressão remete a uma antiga brincadeira que existia em Portugal. Nela amarrava-se um pato a um poste e os competidores deveriam tentar pegar o animal a cavalo soltando suas amarras em um só golpe. Quem perdia, pagava pelo pato sacrificado.

10. Tirar o cavalo da chuva

Para boa parte dos pesquisadores, a expressão surgiu de um costume da época em que o cavalo era o principal meio de transporte no interior do país. Naqueles tempos, quando alguém ia fazer uma breve visita a alguém, normalmente “estacionava” seu cavalo em frente a casa. No entanto, se a conversa se alongava mais do que o esperado era comum o anfitrião falar para o visitante ir “tirar o cavalo da chuva”, isto é, abrigá-lo em um local protegido, pois a visita iria demorar mais do que o imaginado. Com o passar do tempo, a expressão caiu no gosto popular. “Tirar o cavalo da chuva” significa desistir de algo, perder as esperanças ou a indicação de que alguma coisa vai demorar mais do que o previsto.

11, Fazer ouvidos de mercador

Orlando Neves, autor do Dicionário das Origens das Frases Feitas, diz que a palavra mercador é uma corruptela de marcador, nome que se dava ao carrasco que marcava os ladrões com ferro em brasa, indiferente aos seus gritos de dor. No caso, fazer ouvidos de mercador é uma alusão a atitude desse algoz, sempre surdo às súplicas de suas vítimas.

12. Santa do pau oco

Expressão que se refere à pessoa que se faz de boazinha, mas não é. Nos século XVIII e XIX os contrabandistas de ouro em pó, moedas e pedras preciosas utilizavam estátuas de santos ocas por dentro. O santo era “recheado” com preciosidades roubadas e enviado para Portugal.

13. Mais vale um pássaro na mão que dois voando

Significa que é melhor ter pouco que ambicionar muito e perder tudo. É tradição de antigos caçadores. Eles achavam melhor apanhar logo a ave que tinham atingido de raspão, antes que ela fugisse, do que tentar atirar nas que estavam voando e errar o alvo.

14. Aquela que matou o guarda

Tratava-se de uma mulher que trabalhava para D. João VI e se chamava Canjebrina, que, como informam os dicionários, significa pinga, cachaça. Ela teria matado um dos principais guardas da corte do Rei. O fato não foi provado. Mas está no livro “Inconfidências da Real Família no Brasil”, de Alberto Campos de Moraes.

15. Colocar panos quentes

Significa favorecer ou acobertar coisa errada feita por outro. Em termos terapêuticos, colocar panos quentes é uma receita, embora paliativa, prescrita pela medicina popular desde tempos remotos. Recomenda-se sobretudo nos estados febris, pois a temperatura muito elevada pode levar a convulsões e a problemas daí decorrentes. Nesses casos, compressas de panos encharcados com água quente são um santo remédio. A sudorese resultante faz baixar a febre.

16. Andar à toa

Toa é a corda com que uma embarcação remboca a outra. Um navio que está “à toa” é o que não tem leme nem rumo, indo para onde o navio que o reboca determinar. Uma mulher à toa, por exemplo, é aquela que é comandada pelos outros. Jorge Ferreira de Vasconcelos já escrevia, em 1619: Cuidou de levar à toa sua dama. Hoje, o ditado significa andar sem destino, despreocupado, passando o tempo.

17. O pior cego é o que não quer ver

Em 1647, em Nimes, na França, na universidade local, o doutor Vicent de Paul D’Argenrt fez o primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel.

Foi um sucesso da medicina da época, menos para Angel, que assim que passou a enxergar ficou horrorizado com o mundo que via. Disse que o mundo que ele imagina era muito melhor. Pediu ao cirurgião que arrancasse seus olhos.

 O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou para a história como o cego que não quis ver. Atualmente, o ditado se refere a a alguém que se nega a admitir um fato verdadeiro.

18. De pá virada

Um sujeito da pá virada pode tanto ser um aventureiro corajoso como um vadio.
A origem da palavra é em relação ao instrumento, a pá. Quando ela está virada para baixo, é inútil não serve para nada. Hoje em dia, “pá virada” tem outro sentido. Refere-se a uma pessoa de maus instintos e criadora de casos ou a um aventureiro.

19. Deixar de Nhenhenhém

Conversa interminável em tom de lamúria, irritante, monótona. Resmungo, rezinga. Nheë, em tupi, quer dizer falar. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, eles não entendiam aquela falação estranha e diziam que os portugueses ficavam a dizer “nhen-nhen-nhen”.

20. Jurar de pés junto

A expressão surgiu das torturas executadas pela Santa Inquisição, nas quais o acusado de heresias tinha as mãos e os pés amarrados (juntos) e era torturado para confessar seus crimes.

21. Testa de ferro

O Duque Emanuele Filiberto di Savoia, conhecido como Testa di Ferro, foi rei de Chipre e Jerusalém. Mas tinha somente o título e nenhum poder verdadeiro. Daí a expressão ser atribuída a alguém que aparece como responsável por um por um negócio ou empresa sem que o seja efetivamente.

22. Erro crasso

Na Roma antiga havia o Triunvirato: o poder dos generais era dividido por três pessoas. No primeiro destes Triunviratos, tínhamos: Caio Júlio, Pompeu e Crasso. Este último foi incumbido de atacar um pequeno povo chamado Partos. Confiante na vitória, resolveu abandonar todas as formações e técnicas romanas e simplesmente atacar. Ainda por cima, escolheu um caminho estreito e de pouca visibilidade. Os Partos, mesmo em menor número, conseguiram vencer os romanos, sendo o general que liderava as tropas um dos primeiros a cair. Desde então, sempre que alguém tem tudo para acertar, mas comete um erro estúpido, dizemos tratar-se de um “erro crasso“.

23. Passar a mão pela cabeça

Significa perdoar, e vem do costume judaico de abençoar cristãos-novos, passando a mão pela cabeça e descendo pela face, enquanto se pronuncia a bênção.

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