quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Os velhos da porta da Colombo



Segundo a deliciosa marchinha de carnaval, “eram um assombro sassaricando”. Na chamada belle époque carioca, início do século 20, formavam um grupo de intelectuais entrados em anos do qual faziam parte o poeta Olavo Bilac, os espirituosos jornalistas Paula Ney, Emílio de Menezes e outros do mesmo time. Ficavam paquerando as elegantes que por ali passavam e deles recebiam distintos galanteios.

A Confeitaria Colombo tem belo berço. Inaugurada em setembro de 1894 pelos imigrantes portugueses Manoel José Lebrão e Joaquim Borges de Meirelles, Logo se tornou referência para a sociedade do Rio de Janeiro. De estilo art nouveau, que permanece até hoje, é autêntico ícone da Cidade Maravilhosa com seu ambiente sedutor.

Seus 8 espelhos belgas de 4 metros de altura por 3,40 de largura prolongam o espaço ao infinito. As luminárias são de bronze, as mesas têm os pés de ferro retorcido e tampos de mármore italiano. As cadeiras são em estilo Luís XV, o piso é composto de ladrilhos com motivos árabes e o acesso ao salão de chá, no mezanino, se faz por elevador de porta pantográfica, inaugurado com pompa em 1922, ano do centenário da Independência.

Em seus primeiros tempos, a Colombo funcionava em regime de internato: os funcionários dormiam no prédio, tinham folga uma vez por mês e só podiam casar com autorização do patrão. Dentre suas gostosas iguarias, ninguém esquece dos sanduíches de queijo e de presunto, fininhos, leves e úmidos. Mas também inesquecível eram as valsas executadas por um pequeno conjunto de violinos, o que lembrava, sem favor, a sofisticação parisiense.

Mantido o lema pelo fundador da Casa, Manoel Lebrão, “o freguês tem sempre razão”, a confeitaria foi tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Rio de Janeiro, símbolo de uma época tão saudosa e querida ainda hoje lembrada – por quem sabe, quem viveu e não esquece...

A Confeitaria Colombo fica Rua Gonçalves Dias, 32, Centro, na estação Carioca do metrô.



Confeitaria Colombo -1894





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