terça-feira, 27 de outubro de 2015

Tirar o pai da forca


A origem da expressão que tem Santo Antônio o seu padroeiro

Por Márcio Cotrim

Como se sabe, é estar com muita pressa. Mas, para entender a origem da expressão, melhor apelar para a “metafísica” e contar um pouquinho da história de Santo Antônio, conhecido como santo casamenteiro – tão festejado na deliciosa canção junina de Lamartine Babo que começa assim: “Eu pedi numa oração / ao querido São João / que desse um matrimônio / São João disse que não / São João disse que não / isso é lá com Santo Antônio”.

Nascido em Lisboa em 1195, Antônio viveu grande parte da vida no convento de Arcella, em Pádua, na Itália. Segundo consta, lá ocorreu o maior de seus milagres. Fazia ele um sermão quando, sobrenaturalmente, soube que seu pai havia sido condenado e já estava a caminho da forca. Antônio pôs a mão na fronte, transportou-se espiritualmente para Lisboa, defendeu o pai perante o tribunal e conseguiu absolvê-lo.

Para seus ouvintes em Pádua, a impressão foi apenas de um instante de silêncio em que o pregador parecia buscar palavras e ideias. Mal sabiam eles que acabara de ocorrer miraculoso desdobramento de personalidade. Anos depois, o episódio serviria como prova para a canonização de Antônio.

É, não se fazem mais milagres como antigamente...

Revista “Língua Portuguesa” – número 21 – 2007


P.S. Na Basílica de Santo Antônio, em Pádua, na Itália, num relicário, está a língua do santo. A língua de Santo Antônio não se decompôs, apenas mudou de cor, ficando um pouco marrom, mesmo depois de oito séculos. É uma das relíquias mais conhecidas e veneradas da Igreja Católica.



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