sábado, 19 de dezembro de 2015

A perda de entes queridos

Aves almas





As Escrituras Sagradas diferentes tradições religiosas não raramente lançam mão de metáforas para tornar mais claro o entendimento das verdades do mundo espiritual.

Metáforas – pontes poéticas que o amor constrói e que fazem ligação entre coisas e conceitos. E, dentre as metáforas poéticas que os versos sagrados utilizam, uma das mais belas é uma passagem dos textos da Fé Bahá’í... Metáforas – pontes poéticas que o amor constrói e que fazem ligação entre coisas e conceitos, que compara o corpo físico a uma gaiola, e o espírito a uma ave que nela habita. “Imaginar que o espírito pereça ao morrer o corpo, é como imaginar que o pássaro morra ao quebrar-se a gaiola.” “Nosso corpo é apenas a gaiola, enquanto espírito é o pássaro. Nada tem o pássaro que recear, porém, com a destruição da gaiola.”

A morte física – um mergulho no infinito, a hora de voar... O suave voo das aves é uma metáfora visual a nos sussurrar que a alma é livre das limitações impostas pela matéria. Uma metáfora visual e poética que se revela aos que se dispõem a enxergar além do que os olhos podem...

Uma metáfora visual e poética que se revela aos que se dispõem a enxergar além do que os olhos podem... E, ao deslizar pelo céu, as aves nos recordam dos nossos entes queridos que já partiram. Todos os que deixaram para trás este mundo de provações e caminhadas, sonos e vigílias, noites e dias, esperanças... Todos os que deixaram para trás este mundo de provações e caminhadas, sonos e vigílias, noites e dias, esperanças...  

E as aves nos recordam ainda que em breve também chegará a nossa hora de voar. Da força das asas depende altura a que se pode chegar... O corpo, frágil argila, sofre os efeitos do tempo. A alma, puro sopro, é eterna. A alma, puro sopro, é eterna. Aproveitar os nossos breves e incertos dias para alimentar a nossa alma com coisas boas. Uma dieta espiritual farta de Amor e Bondade, Caridade, Pureza, Compaixão, Perdão e Justiça. Virtudes, Gratidão, Bem-Aventuranças. De modo que, quando a hora derradeira bater à nossa porta, possamos voar com asas limpas e puras até as mais sublimes alturas.






O rabino Henry Sobel, por ocasião da morte de Mário Covas, contou a seguinte parábola:


Partida e Chegada

Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espetáculo de beleza rara. O barco, impulsionado pela força dos ventos, vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor. Não demora muito e só podemos contemplar um pequeno ponto branco na linha remota e indecisa, onde o mar e o céu se encontram. Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclamará: “Já se Foi! Terá sumido? Evaporado?”. Não, certamente. Apenas o perdemos de vista. O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha quando estava próximo de nós. Continua tão capaz quanto antes de levar ao porto de destino as cargas recebidas. O veleiro não evaporou, apenas não o podemos mais ver. Mas ele continua o mesmo. E, talvez, no exato instante em que alguém diz: “Já se foi”, haverá outras vozes, mais além, a afirmar: “Lá vem o veleiro!”... Assim é a morte.

Quando o veleiro parte, levando a preciosa carga de um amor que nos foi caro, e o vemos sumir na linha que separa o visível do invisível dizemos: “Já se foi!. Terá sumido? Evaporado?”. Não, certamente. Apenas o perdemos de vista. O ser que amamos continua o mesmo, suas conquistas persistem dentro do mistério divino. Nada se perde, a não ser o corpo físico de que não mais necessita. E é assim que, no mesmo instante em que dizemos: “Já se foi.”, no além, outro alguém dirá: “Já está chegando!”. Chegou ao destino levando consigo as aquisições feitas durante a vida. Na vida, cada um leva sua carga de vícios e virtudes, de afetos e desafetos, até que se resolva por desfazer-se do que julgar desnecessário.

A vida é feita de partidas e chegadas. De idas e vindas. Assim, o que para uns parece ser a partida, para outros é a chegada. Assim, um dia, todos nós partimos como seres imortais que somos todos nós ao encontro Daquele que nos criou.

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