sábado, 12 de dezembro de 2015

Eurico Lara – Lenda Imortal



Eurico Almeida Lara da Fonseca nasceu em 24 de janeiro de 1898, no interior no município de Uruguaiana. Apesar de ter sido contratado pelo Tricolor para substituir o ídolo Kunz, primeiro goleiro gaúcho a defender a Seleção Brasileira e depois se transferiu para o Flamengo. Lara chegou a atuar como centroavante e centromédio. Isso ainda em Uruguaiana, honrando as cores dos times do Esperança, do Militar e da equipe do próprio Uruguaiana.

Militar do 8° Regimento de Cavalaria, no esquadrão de comando, Lara gostava da vidinha que levava por lá. O “calavera”, como era conhecido – também o chamavam de Índio Xucro –, era anspeçada, uma patente do exército entre soldado e cabo. Com farda lavada, comida quente e uma cama macia, Lara não queria saber de mais nada. Isso até o uruguaio Maximo Laviaguerre comentar para os dirigentes do Grêmio que todo mundo que gosta de futebol já ouviu falar alguma vez na vida: “Lá em Uruguaiana tem um goleiro que quando joga, o seu time não perde”. Não deu outra. O presidente Aurélio de Lima Py encarregou o zagueiro Luiz Assumpção de buscá-lo de trem em uma exaustiva viagem de 24 horas. E quem disse que Lara queria ir? Retraído, o homenzarrão de 1,91m e 83 quilos fingiu estar doente para não deixar Uruguaiana. Após muita conversa daqui, conversa dali e o Grêmio mexer alguns pauzinhos, o arqueiro chegou a Porto Alegre. Tinha 22 anos e era o ano de 1920. O resto está registrado em jornais da época e no Memorial do clube. Até 1935, ano de sua morte, Lara foi titular por 16 anos, atuando em 215 jogos de um total de 315 com as cores gremistas. Abocanhou 16 títulos, sendo 11 da capital e cinco do Estado. Chegou a ter uma rápida saída para jogar no Porto Alegre, de onde voltou rápido, e também defendeu a seleção gaúcha e o time do exército. Em Gre-Nais, Lara esteve em campo na Baixada em 25 clássicos. Venceu 13, empatou quatro e perdeu oito. Obteve uma sequência de cinco vitórias diante do Inter entre 1931 e 1933. Na baixada, ele era o responsável por cuidar do material esportivo e do próprio estádio, ou seja, aparava e molhava a grama. Também treinava, às vezes, sozinho. Jogava a bola contra a parede e defendia a pelota na volta. Quando salvava o time, atuava como árbitro e era muito bom no apito.

Casado com Maria Cândida Pereira e pai de Odessa, o mito teve como principal título o Gre-Nal Farroupilha de 1935, conquistado contra o Inter. Nesse jogo, já doente, Lara saiu no intervalo. Não foi direto da Baixada para a Beneficência Portuguesa como muitos dizem até hoje. Chegou a participar de programas de rádio e esteve nos dias seguintes em alguns lugares, inclusive apitando jogos. Morreu às 7h10min de 6 de novembro de 1935. Causa: sífilis e aneurisma da aorta descendente. O caixão, que iria ser trasladado de carro, acabou nos braços do povo. “A pé! A pé! A pé!”, gritavam os presentes. Seu velório aconteceu na Baixada e o sepultamento ocorreu no cemitério São Miguel e Almas.

Talvez mais fatos pudessem ser ditos sobre o lendário ex-goleiro, como sua amizade com o político Oswaldo Aranha ou a única vez em que cobrou um pênalti e, acreditem, errou.


A Lenda da sua Morte


Consta nos autos que, em 1935, Lara, já doente de tuberculose e sem condições de jogar futebol, resolveu que ia entrar em campo para disputar um Gre-nal válido pelo campeonato porto-alegrense daquele ano, chamado “Campeonato Farroupilha”. O Grêmio precisava vencer para ser campeão e, com magnífica atuação de Lara, venceu. Um esforço absurdo para ajudar o time em que jogava. O goleiro saiu no intervalo e foi direto para o hospital. Dois meses depois, morria. Embora esse seja o fato correto e verdadeiro, muitos preferem a história que ele pegou um pênalti e morreu em campo, com a bola incrustada em seu peito. A verdadeira ou a falsa? Não importa. São duas grandes histórias que fazem jus ao gremismo de Eurico Lara.

Parte da letra do Hino

Lara, o Craque Imortal.
Soube o seu nome elevar.
Hoje, com o mesmo ideal,
Nós saberemos te honrar!



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