domingo, 6 de dezembro de 2015

La Merica



Com o título La Mericaeste poema com estribilho e três estrofes se encontram na obra de Ângelo Giusti, a quem a tradição oral atribui a autoria. As demais estrofes são aditamentos e bem se vê a dissonância nas ideias. A probabilidade de Ângelo Giusti ser o autor é muito grande, porque sua obra Poemas de um imigrante italiano só traz textos de sua autoria, nenhum poema copiado, e a canção La Merica está na página 65 de uma obra de 70 páginas com observação do Prof. Luis Alberto De Boni de que o poema é por tradição oral local de autoria de Angelo Giusti. Giusti fazia os poemas e nos fins de semana, nos encontros de Igreja, ele os cantava com os amigos. Frequentemente ia a Flores da Cunha para pedir ao conhecido músico sacro francês, Frei Exupério de la Compôte, de compor as músicas para seus poemas e as aprendia de cabeça. E o La Merica de Giusti bem se aproxima do estilo musical do frade. Portanto, a letra é certamente de Giusti, e a música foi composta por Exupério de La Compôte, em estilo fácil para facilmente ser aprendida e cantada, como aliás são todas as suas canções.

Angelo Giusti faz parte da primeira geração de imigrantes da então Colônia Caxias, morando no atual território de Flores da Cunha, no travessão Rondelli, à beira da Estrada que vai de Flores da Cunha a Antônio Prado, onde faleceu com 81 anos, a 23 de fevereiro de 1929. Antes de sua morte, depositou um conto de réis no Banco Pelotense para serem rezadas missas em seu sufrágio, depois da morte, e elaborou também o epitáfio para seu túmulo, assim redigido:


Qui giace Angelo Giusti,
Fu poeta di poco valore.
La sua anima è partita
A render conto a Nostro Signore.

Se observarmos os títulos de seus poemas, todos referente a histórias italianas, todos de sua autoria, não resta dúvida de que este poema com três estrofes e estribilho é de sua autoria. Entre outros poemas tem: Le campane di Nuova Trento; Benedizione delle Campane; Per la chiesa nuova di Nova Trento; Festa di San Pietro; Pio Décimo; Bandiera Cattolica; Le streghe; Inno in onore alla Madonna di Maggio; Le cavalete; Le donne si fanno tosar; Padre Raimondo; Archivescovo Giovanni Becker.




Da l´Itália noi siamo partiti,
Siamo partiti e´o i nostri onori
Trieta e sei giorni de machina e vapore
E nela Mèrica noi siamo arrivà.

Merica, Merica, Merica, 
Cossa sarala sta Merica? 
Merica, Merica, Merica, 
un bel mazzolino di fior.

Nela Mèrica noi siamo arrivati,
No abiam trovato n´è paglia, n´è fieno
Abiam dormisto su´l nudo tereno,
Come le bestia abiam riposà.

E la Mèrica, l´è lunga e l´è larga
L´`e circondata de monti e de piani
E co´la industria di nostri italiani
Abiam fondato paesi e cità.

Mèrica, Mèrica, Mèrica,
Cosa sarála sta Mèrica?
Mèrica, Mèrica, Mèrica,
L´è un bel massolino de fior.

Tradução:

Da Itália nós partimos,
Partimos com a nossa honra
Trinta e seis dias de trem e de vapor
Na América nós chegamos.

América, América, América,
O que será esta América?
América, América, América,
Um belo ramalhete de flores.

Na América nós chegamos,
Não encontramos nem palha, nem feno
Dormimos no solo nu,
Como animais repousamos.

Mas a América é grande e é larga
É formada de montes e planícies
E com talento de nossos italianos
Fundamos vilas e cidades.

América, América, América,
O que será esta América?
América, América, América,
Um belo ramalhete de flores.

As duas estrofes seguintes são aditamentos, foram publicadas em vários livros, inclusive em Canti Taliani, de Ivo Adamatti e TheodoroWebber, UCS/EST, 1980 e em Ricordi d’Italia, de Carino Corso, Passo Fundo, 1993.

Nela Merica noi siamo arrivati,
Abbiam trovato una rica signora,
Abbiam messo il cortelo a la gola
E l’argento abbiamo trovà.

E nela America abbiamo piantato
Formento, miglio, ingurie e meloni,
Abbian mangiato dei grossi boconi
Abbian goduto la libertá.

Porto Alegre, 5 de maio de 2005 - Frei Rovilio Costa

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