sábado, 26 de dezembro de 2015

Os deveres da pessoa segundo Armindo Trevisan



Aquarela de Euardo Arigony


11) Aceitar-se livremente como membro de uma comunidade que tem a língua, a história e o trabalho como base comum da sua solidariedade;

22) Exigir dos outros o mesmo que se exige de si, ou seja, a garantia da sobrevivência, da educação, da saúde e de uma velhice digna;

33) Participar ativamente das tarefas essenciais de uma sociedade constituída por um pacto: defesa do patrimônio comum, luta pelo acréscimo do mesmo, porém jamais a expensas do que é devido aos mais frágeis, aos marginalizados, às crianças e aos velhos;

44) Exercer o direito de voto de uma forma lúcida, de modo a afastar os oportunistas, os vigaristas, os vaidosos e os cobiçosos;

55) Reconhecer, ao menos implicitamente, que toda autoridade é um serviço, e que deriva de um Ser Transcendental, pouco importa o nome que se lhe dê. Para mim, sem a admissão, ao menos implícita, dessa realidade, não há cidadania que resista ao assédio da incorrigível tendência humana ao egoísmo e à megalomania.


Primavera

Por que será que penso nos teus lábios
quando avisto, em quintais, limões maduros?

Serão eles, dobrados sobre os muros,
Livreiros que esquadrinham alfarrábios?

Ou hão de perecer polidos cabos
Rumorejando sobre os ares puros?

Eu sempre penso nos limões: dourados,
Guardam-se incorruptíveis, e fechados.


Extraídos de A dança do fogo. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 2001.


*Armindo Trevisan (Santa Maria, 1933) é teólogo, poeta, crítico de arte e ensaísta brasileiro, tendo obras traduzidas em várias línguas, especialmente alemão, italiano, espanhol e inglês.


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