sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Mais um pouco de nostalgia



Provocar boas recordações nos leitores sempre rende uma segunda investida no mesmo assunto. Foram tantas as manifestações dos leitores que a obrigação do colunista é a de se recuperar diante deles trazendo outras que foram esquecidas, muito mais por falta de arquivo e por contar apenas com as primeiras lembranças que foram surgindo à medida que o texto ia sendo produzido. Como fui esquecer, por exemplo, dos tradicionais encontros matinais sabatinos em frente à Livraria do Globo? Ou os de segunda à sexta, à tarde, defronte a Loja Krahe, um pouco mais adiante da Globo, na Rua da Praia? Na frente da Livraria do Globo (mas era livraria mesmo!), políticos e jornalistas. Na frente do Krahe (era no masculino quando não tinha a palavra loja), a paquera nas gatinhas. Elas ainda não usavam o termo "gato" quando se interessavam por algum paquerador. O garoto bonitão tinha uma definição curiosa: era sempre um "pão". A Rua da Praia foi o nosso Google, pois a gente ficava sabendo de tudo o que se passava na cidade e, até mesmo, dos lançamentos que iam do novo perfume ao novo toca-discos que se podia comprar na Casa Victor ou na Casa Coates, mais acima, na Dr. Flores. Claro, tinha a Mesbla, a nossa loja de departamentos, mas mais para longe um pouco: Coronel Vicente com Voluntários. Perfumes tinham na Masson, na Casa Lyra e na Sloper e roupas finas femininas na Cecília Louro, antes de ser Casa Louro. Para a moda masculina: Camisarias Aliança, Taft e Senador. Joias e relógios, além da Masson, a Scarpini. Ferragens sofisticadas, no Bromberg e lista de presentes de casamento, nas Lojas Renner (do aparelho de chá ao refrigerador, tinha tudo para noivos). Eu usava dois perfumes (a gente andava perfumado); Lancaster e Azzaro. O Lancaster vinha da Argentina e o Azzaro quem me deu a dica foi o deputado Octávio Germano (pai do Zé Octávio, um garotinho que andava pela mão dele). Tinha um mulato simpático que vendia na Assembleia para todos os deputados e jornalistas que frequentavam o Palácio Farroupilha. Houve um tempo na Assembleia que o perfumista francês Lóris Azzaro faturava os tubos conosco. Não cheguei a pegar esse tempo, mas na frente da Globo havia um fotógrafo que flagrava casais em seu footing tradicional. Ele de terno, gravata e chapéu e a dama mais bem vestida ainda. Minha irmã, Marta, ainda guarda uma foto dessas dos meus pais. Perdão, pelo esquecimento de outras tradições, mas o e-mail está aí para mais lembranças.

O conto do cigarro

O jornalista Políbio Braga e eu trabalhávamos na sucursal do Correio da Manhã. Pegamos a mania de fumar cigarros americanos que comprávamos no Cais do Porto. Um dia, apareceu um fornecedor que recebera um carregamento novo de um navio que chegara na noite anterior. Fomos com ele buscar pacotes de Pall Mall. Ele nos pediu o dinheiro para pagar o seu contrabandista. Ficamos esperando pelos cigarros. Estaríamos lá, numa porta da galeria Frederico Mentz, até hoje...

Balas Ruth

Na mesma época apareceram, em todos os armazéns, as Balas Ruth que distribuíam prêmios para quem as colecionasse. Tinha álbum e troca de figurinhas. Antonio Carlos Madalena Carvalho (desembargador já falecido), era da nossa turma e, além de tirar a figurinha mais difícil -, o Nabo Branco - ganhou um relógio de pulso, uma joia para todos os seus amigos.

Chicletes-balão

Os primeiros chicletes-balão eram importados e vendidos nas Lojas Americanas, os bubbles gum, todos na cor rosa se transformaram na guloseima da moda. Quem não estourasse o balão no próprio rosto não estava com nada.

Balas Brocoió

Brocoió era simplesmente o marinheiro Popeye. As Balas Brocoió também tinham álbum e prêmios. Meu primo, Breno Pacheco (administrador da CEEE, aposentado), abriu uma bala (grudenta pelo açúcar) e ganhou um liquidificador. Uma festa em casa.

Inesquecível

O Bar Líder, na Independência com Barros Cassal, foi imperdoavelmente esquecido na semana passada. A cobrança veio através do Guilherme, filho do general cavalariano Gastão Pereira dos Santos, irmão de outro general cavalariano, vice-presidente da República, Adalberto Pereira dos Santos. O líder e seus filés! Como esquecê-los? Mas há uma resistência admirável: na Rua da Ladeira, está lá firme, e com seus sabores, o Tuím.

Os cinemas

Na Rua da Praia e zona Central localizavam-se os principais cinemas de Porto Alegre: Cacique e Scala (na sobreloja), Guarany, Imperial, Central, Ópera. Na Sete de Setembro, o Rex e o Rívoli. Na Borges de Medeiros, Vitória, Continente e Capitólio. Na Coronel Genuíno, o Marabá. Na Salgado Filho, o São João e na Vigário José Inácio, o Carlos Gomes.


Texto de Rogério Mendelski – no Correio do Povo 
de Porto Alegre-RS

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