sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

O Carnaval era assim...

(...em Porto Alegre)



Bem no início, o nosso Carnaval era chamado de Entrudo, palavra que veio de Portugal, onde designava os grandes bonecos de madeira que faziam parte das brincadeiras. Na Porto Alegre antiga, sem bonecos, os foliões, nas ruas, lançavam entre si limões de cheiro, água de seringas e até farinha. Com o aumento da população, o que era simples diversão tornou-se causa de desavenças e mesmo de ferimentos entre participantes e passantes.

Conforme Carlos Roberto Saraiva da Costa Leite, pesquisador do Museu de Comunicação Hipólito José da Costa, além desse Carnaval vivenciado pelo povo e reprimido pela polícia, existiam os blocos e corsos das grandes sociedades, que representavam a elite da cidade. A passagem do Entrudo para o Carnaval dito “bem-comportado” ocorreu dentro de um modelo que reproduzia a festa europeia.

Os festejos de momo, nos seus primórdios, eram praticados pelas classes média e alta em cafés, teatros, confeitarias, clubes e associações. Nas ruas, junto com o corso de automóveis, ocorriam jogos de confete, batalhas de flores e muito lança-perfume. As camadas mais pobres da população eram excluídas dos festejos, embora houvesse circulação de mascarados que tocavam tambores e zabumbas  de origem africana em diversos pontos da cidade.

Com o tempo, o nosso Carnaval de rua, como acentua o pesquisador Costa Leite, “passou a aglutinar tradições populares de origem europeia e africana, fundindo práticas a hábitos que se misturavam nos espaços de resistência cultural da população afrodescendente, considerados o berço do samba, a exemplo da Colônia Africana, Areal da Baronesa e Ilhota, onde surgiu uma série de blocos carnavalescos”.

Algumas figuras conhecidas fizeram parte da fase inicial do Carnaval porto-alegrense. Osmar Fortes Barcellos, o popular Tesourinha, participava do bloco Os Tesouras (de onde se originou o apelido), oriundo da Colônia Africana, assim como os Embaixadores do Ritmo, Aí Vem a Marinha, Namorados da Lua e Prediletos. Para este último, Lupicínio Rodrigues, aos 14 anos, compôs sua primeira música: Carnaval.

Enquanto isso, no Areal da Baronesa, em 1949, era coroado o primeiro Rei Momo negro da Capital, Adão Alves de Oliveira, o seu Lelé (1925-2013). Ainda no século 19, antes dos blocos surgidos posteriormente, havia as tradicionais sociedades carnavalescas, como a Esmeralda Porto-Alegrense, a Sociedade Venezianos, a Germânia, fundada por alemães, e a Sociedade Floresta Aurora, ainda em atividade.


(Do Almanaque Gaúcho de Zero Hora)




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