quinta-feira, 7 de abril de 2016

Artistas do Brique da Redenção

O homem do gato


Feliciano Falcão Cavalcanti Lins – ator, mímico, mágico, palhaço, locutor, apresentador, locutor-entrevistador, palestrante motivacional, nacionalmente e internacionalmente conhecido como o homem do gato - the catman - fone (51) 9696-7400.


Uma história interessante do homem do gato

Flávio MPinto

Sempre quando ando pela Rua da Praia - Porto Alegre-RS e deparo com o Homem do Gato, assisto a sua apresentação.

Aquele cidadão conhecido como Homem do Gato, é um artista mambembe que alegra a vida das pessoas no centro da capital. Há mais de 20 anos que faz suas apresentações e conta que até no exterior já esteve, pelo menos ele diz. No verão se apresenta nas praias do Litoral Norte.

Com um saco de estopa, um pedaço de pau, uma corda imitando um gato amarrado e um apito que simula voz de felino distribui alegria a quem passa e inferniza as “gurias” e namorados com suas tiradas nem sempre de bom gosto. Mas para quem ali passa despreocupado e desejoso de, por uns momentos, esconder as agruras da vida, lá está o Homem do gato.

No final da apresentação, vende seus produtos conhecidos: imitações de cocôs de plástico, vômitos, bombons com pimenta, canela, fumo, e outras bobagens, e pede uma contribuição agradecendo de forma muito interessante mostrando sua alegria em cada nota ou moeda recebida.

Olhem, 20 reais-viva, muito obrigado, Deus lhe pague e...” “ 5 reais, viva, viva, muito obrigado...” e vai agradecendo. É claro que isto também faz parte da encenação. Quando apanha as moedas. “1 real, bom...” “ 50 centavos... 25...” “10 centavos..” aí dá uma entonação na voz e ela vai baixando de forma muito divertida.. “5 centavos.” “Ah, não acredito: quem foi o desqualificado que me deu essa moeda? Será que meu show vale 1 centavo”, diz quase chorando.

Certo dia, ele agradeceu a Deus ter recebido uma moeda de 1 centavo, pois com certeza, seria a única moeda que alguém tinha para lhe oferecer. Tal como uma pessoa que, em agradecimento, desse o melhor que tinha a outrem e esse melhor não era o que o outro esperava receber. Talvez, quem lhe deu aquele centavo, tivesse tirado do leite dos seus filhos ou da passagem de ônibus. Um discurso diferente e foi aplaudido pelo que falou.

Sábio, o Homem dos gatos, um artista mambembe muito bagaceiro, mas de um coração generoso e muito grande. Por isso não perco uma apresentação sua na Rua da Praia.


Zé da Folha


Ecoando pelas ruas do Centro, contornando prédios e envolvendo pessoas, um som que já se tornou característico da cidade anuncia: Zé da Folha está por perto. Basta seguir as notas afinadas que ele tira das folhas de jambolão para saber onde encontrá-lo. Quase sempre, na via que ele ainda chama pelo nome antigo, Rua da Praia.

Depois de tanto tempo como parte da história da cidade, as datas já não são tão precisas. Zé diz que tem quase 70 anos e está no Centro “há uns 60”. E mesmo após se tornar figura conhecida, seu talento sempre conquista novos admiradores. Para ele, a música é algo instintivo, natural. Analfabeto nas letras, Zé da Folha é doutor em afinação:

– Aprendo só de ouvir. Escuto as músicas e já saio tocando.

A arte que o consagrou foi aprendida em brincadeiras de infância, na zona rural de São Valentim (Alto Uruguai). Foi lá que ele começou a testar os sons das folhas de pente-de-macaco e de cerca viva. Após a morte do pai, quando chegou a Porto Alegre, por volta dos dez anos, José Costa já trazia na mala esse talento especial.

E foi nas ruas do Centro que ele dormiu, trabalhou como engraxate, vendedor de jornais e aprendeu a tocar violão para dar vida ao Zé da Folha. É no coração da cidade que ele mora até hoje, sozinho.

– Não tenho ninguém, sou só eu e o violão – explica, sem nenhum sinal de tristeza ou solidão, pois a música e o público parecem preencher a sua vida por completo.

→ Ele chegou a Porto Alegre de caminhão, acompanhado de uma tia.

→ Quando morava nas ruas do Centro, várias vezes dormiu em bondes.


→ As folhas de jambolão que Zé usa para tocar são colhidas na Redenção.

→ No lugar da palheta, ele utiliza uma tampa de caneta Bic para fazer soar as cordas do violão.

→ Seu repertório é recheado de canções populares. Durante a entrevista, ele foi de Hey, Jude, dos Beatles, a Nossa Senhora, de Roberto Carlos.

→ Entre uma música e outra, diverte o público com imitações de sons de animais como cachorro e passarinho com as folhas de jambolão.

→ Zé já participou do quadro Se Vira Nos Trinta, do Domingão do Faustão.

→ Há nove anos, é responsável pela abertura dos espetáculos do Tangos e Tragédias, no Theatro São Pedro.

(Do Blog do Diário Gaúcho)


P.S. Tenho notado que há muito tempo não vejo o Zé da Folha no Brique da Redenção, pergunto ao artista, que faz a estátua viva na Rua da Praia, por ele. Ele me diz que o Zé da Folha já faleceu. Faço a mesma pergunta a outros músicos que se apresentam na rua, e todos dizem que não o veem há longo tempo. Um tocador de gaita de boca, cego, diz que ele foi para São Paulo para ganhar mais dinheiro. 


Afinal, qual é o destino do Zé da Folha?



E ainda há outros artistas

Um domingo no Brinque da Redenção, principalmente no inverno, quando chove a semana inteira e faz sol, lá sempre é uma festa. Há músicas e artistas para todos os gostos. Perfomances teatrais, grupo de capoeira, violonistas, grupo de Choro (o melhor na minha opinião), grupo de blues e de música country, grupo de peruanos com as músicas de seu país. Há, ainda, um rapaz que faz a estátua de anjo, oferecendo uma pequena mensagem a quem lhe contribui com uma moeda. Há o lambe-lambe, que, com sua máquina antiga, faz fotos de casais de para ficar na história. Mas, sem dúvida alguma, os pioneiros são o Homem do gato e o Zé da folha. Um na palhaçada e no humor politicamente incorreto (faz de conta que vai matar um gato); o outro, na música: batendo um pandeiro com o pé direito, tocando violão com as duas mãos e, na boca, a folha de jambolão onde toca as músicas pedidas pelo público em geral.

Nilo da Silva Moraes



Acima, bossa nova, abaixo, blues...




Acima, o homem-estátua;* abaixo, o lambe-lambe



(Fotos da Internet)

*O homem-estátua chama-se Abraham, argentino de Córdoba, é o pioneiro nesse tipo de arte em Porto Alegre. Está, nos dias de semana, na Rua da Praia. Gentil, educado, ele têm muitas histórias humanas para contar. Depois de falar com ele, me dá um pequena mensagem, onde está escrito o seguinte texto:

“Na vida, não vale tanto o que temos,
nem tanto importa o que somos.
Vale o que realizamos com aquilo
possuímos e, acima de tudo,
importa o que fazemos de nós.”


(Chico Xavier)


Um comentário:

  1. Não lembro bem, mas acho que faz uns 15 anos ou mais talvez, eu e minha Mãe, estávamos passando pela rua da praia, quando vimos a apresentação do homem fato, foi tão impactante, nunca mais esqueci o sorriso e a alegria da minha Mãe, esse texto me trouxe essa lembrança.

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