quinta-feira, 21 de abril de 2016

Senta a Pua!

O Grito de Guerra e o Emblema


Durante a fase de crescimento ganhou o grito de guerra - "Senta a Pua!".

Tudo começou no Panamá. Foi adotado espontaneamente. Nas missões simuladas de combate aéreo, interceptação, formaturas, tiro aéreo e terrestre e bombardeio picado, já era usado pelos pilotos. Em terra era linguagem comum entre o pessoal de apoio.

Levado para Suffolk, foi ouvido muitas vezes nos céus de Long Island, dando motivo pela primeira vez à curiosidade dos companheiros americanos, que ali também se preparavam para a guerra. Explicar-lhes o significado era tarefa complicada. Traduza, você mesmo, o significado de "Senta a Pua!" para um estrangeiro e verá.

Pronto para embarcar para o Teatro de Operações, com o grito de guerra em todas os gargantas, faltava ao Grupo um emblema. Coube ao Capitão Aviador Fortunato Câmara de Oliveira, desenhá-lo. Apareceu, então, pela primeira vez, a figura atlética do Avestruz do 1º Grupo de Caça.

"Senta a Pua!" - Quantas e quantas vezes o grito de guerra do 1º Grupo de Caça foi ouvido nos céus da Itália. Os ex-prisioneiros ao regressarem no final da guerra, dos campos de concentração nazistas, falaram da curiosidade mostrada por seus interrogadores em saber o significado desse grito.



Pilotos brasileiros treinando no Panamá,
antes de seguirem para a guerra na Itália.


Origem, descrição, criação e grito de guerra.

I - Origem do Símbolo

É preciso lembrar que, com os incessantes e arrasadores ataques de submarinos alemães e italianos nas costas atlânticas, desde os EUA até o Brasil, seria muito arriscado transportar os aviões adquiridos por via marítima. E, por essa razão, ficou resolvido, pelas autoridades da Força Aérea, que todos os aviões adquiridos na América, desde os frágeis PT-19 até os mais avançados como os B-25, Hudson, etc., se deslocariam por via aérea, por seus próprios meios, até o destino final, o Brasil.

E levas e levas de pilotos e mecânicos do Brasil desembarcaram nos E.U.A. para formar essas equipagens de transporte. Assim, era comum se ver em New York, em Miami, em Los Angeles, San Antônio, e em várias cidades americanas, os grupos de pilotos e mecânicos brasileiros perambularem pelas ruas daquelas cidades, antes de receberem os aviões e levá-los para o Brasil. O quepe branco já os diferenciava dos militares da terra. Mas, a maior diferença era na alimentação que lhes era oferecida, que contrariava todos os hábitos alimentares a que tivessem se habituado: feijão com açúcar, ovos em pó, leite também, etc., etc.

O então Cel. Av. Aquino (Geraldo Guia Aquino) comparou-os a um "bando de avestruzes". A comparação virou apelido e difundiu-se entre nós. Assim, o avestruz do símbolo do 1o Grupo de Caça encontra sua origem nessa denominação histórica criada pelo Cel. Aquino (falecido quando já era Major Brigadeiro do Ar Reformado). O desenhista, para a feitura do símbolo avestruz, inspirou-se na fisionomia do Ten. Pedro de Lima Mendes, que realmente, era uma figura que se destacava do corriqueiro pelo seu perfil aquilino, seu porte e sua simpática personalidade.

II - Descrição do Símbolo

A moldura auriverde simboliza o Brasil (mesmas cores da Bandeira - elipse com razão de 80% e espessura da moldura igual a 6% da largura da elipse).

O campo rubro sobre o qual se situa o avestruz guerreiro representa o céu de guerra onde combatiam os Pilotos de Caça (vermelho puro).

A parte inferior, onde está pousada a figura principal, são as nuvens brancas, o chão do aviador.

O escudo azul com a constelação do Cruzeiro do Sul é o símbolo usual que caracteriza as Forças Armadas do Brasil (mesmo azul da Bandeira).

O risco branco vertical, à direita, que é encimado por uma explosão de obus, foi acrescentado posteriormente, quando o 1o Grupo de Caça entrou em combate, e representa a incessante e certeira ação da artilharia antiaérea inimiga que fustigava os caçadores no Teatro Italiano.

O avestruz representa o piloto de caça brasileiro, tendo como inspiração a fisionomia do Ten. Lima Mendes, com seu perfil aquilino e, ainda, o "estômago" dos Veteranos do 1o Grupo de Caça.

O quepe branco caracteriza mais nitidamente a sua nacionalidade.

A arma empunhada pelo avestruz é a representação do poder do fogo do P-47, com suas oito metralhadoras 50.

O dístico "Senta a Pua!" é o grito de guerra do 1o Grupo de Caça.
                                  
III - Grito de Guerra

O Grito de Guerra "Senta a Pua!", foi lembrado pelo então Ten. Rui Moreira Lima que o ouvia, constantemente, quando servia na Base Aérea de Salvador.

Ouvira-o do então Capitão Aviador Firmino Alves de Araújo (falecido como Brigadeiro do Ar) que, com essa expressão - pronunciada de modo impulsivo - concitava os companheiros e subordinados ao cumprimento rápido das missões e ordens que dele recebiam. Nada melhor, portanto, que aplicá-lo ao combate, como já o tinham o "A la chasse!" dos franceses e o "Tally Ho!" dos ingleses e americanos.

Maj. Brig. (Ref) Fortunato Câmara de Oliveira (autor do Símbolo)
- 56 Missões de Guerra.


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