segunda-feira, 16 de maio de 2016

A inesquecível Cidade Maravilhosa



Autoria de Edward Chaddad

Não poderia discorrer sobre as marchinhas de carnaval e deixar de mencionar esta obra prima, que correu o mundo e foi o porta-estandarte, o abre-alas, aquela que chamou a atenção de todos para as belezas do Rio de Janeiro.

É uma música apaixonante, mesmo para o marinheiro de primeira viagem, que, ao ouvi-la, sai contente, alegre, vibrando como se fosse um carioca.

Seu autor foi André Filho, que a compôs para um festival, em 1934, mas foi sucesso no Carnaval de 1935.

Dizem que o compositor se inspirou em um texto de Coelho Neto, que adjetivou o Rio de Janeiro como Cidade Maravilhosa, em 1908. Há quem afirme ter sido no programa Crônicas da Cidade Maravilhosa, apresentado por César Ladeira, onde este lia textos de Genolino Amado.

Sua primeira gravação foi feita pela cantora Aurora Miranda, irmã de Carmen Miranda, que a divulgou em suas apresentações. Depois, fizeram centenas e centenas de novas gravações, não só no Brasil, mas em todo o mundo.

O importante é que seu compositor foi muito feliz e sua música traduz de forma exata e sublime o que é o Rio de Janeiro, uma das maravilhas do nosso planeta, tanto que esta música passou a ser o Hino Oficial do Município do Rio de Janeiro.

É uma melodia que nos deu, no exterior, uma imagem admirável e emocionante, acabando por ajudar o Rio de Janeiro a sediar as Olimpíadas de 2016.

Mas perdoem-me os cariocas, esta música não é só do Rio. Ela é do Brasil! Perdoem-me, meus irmãos brasileiros, ela não é só do Brasil. Ela é do mundo! É uma música universal:

Cidade Maravilhosa

André Filho*

Cidade maravilhosa, cheia de encantos mil,
Cidade maravilhosa, coração do meu Brasil! (Bis)

Berço do samba e das lindas canções,
que vivem n´alma da gente.
És o altar dos nossos corações,
que cantam alegremente!

Cidade maravilhosa, cheia de encantos mil,
Cidade maravilhosa, coração do meu Brasil! (Bis)

Jardim florido de amor e saudade,
Terra que a todos seduz,
Que Deus te cubra de felicidade,
Ninho de sonho e de luz!

Cidade maravilhosa, cheia de encantos mil,
Cidade maravilhosa, coração do meu Brasil! (Bis)


Difícil mesmo foi escolher, entre as gravações, as melhores, pois todas transmitiram sensações de extraordinária beleza, uma riqueza musical para a nossa cultura.


* Antônio André de Sá Filho, conhecido com André Filho (Rio de Janeiro, 21 de março de 1906 - Rio de Janeiro, 2 de julho de 1974) foi ator, violinista, bandolinista, banjoísta, violonista, pianista, compositor e cantor brasileiro.

Há de se registrar que os direitos autorais de uma das músicas mais executadas nos carnavais, Cidade maravilhosa, de sua autoria, foram para os bolsos das mais diversas pessoas, menos para os seus. Internou-se com problemas psíquicos numa casa de saúde particular, afastou-se da vida artística e passando praticamente recluso (e pobre) seus últimos anos de vida.

André Filho (1906-1974) nasceu no Rio de Janeiro. Criado pela avó, recebeu ainda na infância uma ampla educação musical erudita, dirigida pelo professor Pascoale Gambardella. Estudou vários instrumentos, dedicando-se desde muito cedo ao violão, violino, piano e bandolim. Destacou-se como compositor e cantor de música popular. É autor de diversas músicas, sendo Cidade maravilhosa a mais conhecida delas.

Ingressou cedo no universo do rádio, onde se tornou radialista, arranjador, compositor de jingles e locutor de várias emissoras como a Tupi, Mayrink Veiga, Phillips e Guanabara. Uma das suas primeiras composições, Velho solar foi gravada em 1929 pela Parlophon e interpretada por Henrique de Melo Morais. No mesmo ano, Ascendino Lisboa gravou seu samba Dou tudo. Em 1930, Carmen Miranda lançou duas músicas suas pela RCA Victor, o samba O meu amor e a marcha Eu quero casar com você. Sílvio Caldas também gravou pelo mesmo selo o samba Nem queiras saber, em parceria com Felácio da Silva. Em 1931, Carmen voltou a gravá-lo com os sambas Bamboleô e Quero só você. Em 1933, Mario Reis foi convidado por Noel Rosa para gravar sua parceria com André Filho Filosofia, pela Columbia.

No ano de 1934, o próprio André gravou seu grande sucesso, em dupla formada com Aurora Miranda, de apenas 19 anos. Cidade maravilhosa foi inscrita, no ano seguinte, no Concurso de Carnaval da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, obtendo a segunda colocação. Em 1960, um decreto oficializou Cidade maravilhosa como hino da cidade.

O Instituto Moreira Salles recebeu a guarda da coleção de André Filho, doada por sua família, em 2006, ocasião em que realizou uma exposição comemorativa dos 100 anos do compositor. O material é composto por documentos pessoais, instrumentos, fotografias, cartas, álbum de recortes, músicas, poemas, partituras impressas de diversos compositores, livros de estudo para piano e algumas músicas manuscritas.

 Cidade Maravilhosa é uma marcha composta por André Filho para o Carnaval de 1935. Esse adjetivo para a cidade do Rio de Janeiro foi dado pelo escritor maranhense Coelho Neto como uma homenagem às suas belezas naturais.

→ Seu título foi inspirado num programa radialístico de grande sucesso à época, apresentado por César Ladeira, onde este lia as "Crônicas da Cidade Maravilhosa", escritas pelo futuro Imortal da Academia Brasileira de Letras, Genolino Amado.

 Gravada originalmente na Odeon em 1934, por Aurora Miranda e André Filho e lançada em discos 78 rpm.

 Aurora gravou a marcha por sugestão de Carmen Miranda, a qual pretendia lançar a irmã mais nova no cenário artístico e na rádio, pois esta possuía grande talento.

 Por esta razão, Carmen passou a incluí-la em todos os seus shows e no coro de suas gravações. Quando o compositor André Filho mostrou-lhe a música Cidade maravilhosa, Carmen achou que aquela seria uma oportunidade de ouro para a irmã. André Filho concordou imediatamente e, juntamente com Aurora Miranda, gravou Cidade maravilhosa de forma magistral.


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